A luta olímpica é um esporte dos mais antigos da humanidade que está presente nas Olimpíadas desde a primeira edição, em 1896, e timidamente ganha adeptos pelo Brasil. São cerca de 5 mil praticantes concentrados nas regiões sul e sudeste e, com intenção de ampliar este número, representantes da Seleção Brasileira de Luta Olímpica estiveram nas Olímpiadas Escolares 2009, em Londrina, fazendo demonstrações para os jovens.
De acordo com o técnico Enoir dos Santos, a proposta é apresentar outro tipo de esporte aos jovens entre 15 e 17 anos, pois a Confederação Brasileira visa formar atletas para galgar medalhas nos Jogos Olímpicos de 2012 e 2016. Dividido em três modalidades, como greco-romana, livre e feminino, as possibilidades de conquistar o ouro são grandes, pois estão em jogo 72 medalhas (28 estilo livre, 28 greco-romana e 16 feminino).
Santos afirma que o primordial é formar não só alunos, mas professores que proporcionariam a massificação da modalidade pelo país. Ele acredita que a simplicidade de aprendizagem dos golpes é o atrativo, uma vez que são inspirados nos movimentos dos animais e nas etapas da evolução do homem.
''A luta utiliza movimentos naturais do homem primata que na busca pela sobrevivência precisavam subir em árvores, atravessar rios, correr, saltar, rolar. São movimentos acrobáticos naturais que são associados à luta'', explica Santos.
A comissão que esteve na cidade é formada por atletas da Seleção Brasileira, como Adrian Jaoude, Diego Rodrigues, Daniel Malvino e Rodrigo Vandré. Oriundos de artes marciais, como aikidô, luta livre, taekwondô e jiu-jistu, viraram adeptos após conhecerem a luta olímpica. De acordo com Jaoude, a associação com o vale tudo, devido principalmete ao sucesso de Randy Couture, um especialista em luta greco-romana, tornou o cenário favorável.
Segundo Malvino, devido a ancestralidade da luta olímpica, não é classificada como arte marcial, mas sim como esporte. Enquadrado numa das modalidades do wrestling, o estilo é rigidamente centrado na parte superior do corpo, não permitindo golpes abaixo da cintura, contando a habilidade de imobilizar os braços e pernas do adversário.
Malvino elenca que dentre as técnicas de treinamentos, o foco é a preparação do ''sistema energético misto''. ''É um trabalho de agrupamento muscular que envolve resistência aeróbica e anaeróbica. É o que chamamos de ápice das três pirâmides como força, resistência e velocidade'', explica.
Quanto as primeiras notícias das origens da luta olímpica, Jaoude afirma que existem pinturas criptografadas em cavernas que dão pistas da ancestralidade deste esporte. ''Muitos povos nativos enxergam a luta como tradição a nível espiritual, religioso e de sociedade'', analisa.
Como exemplo, cita povos indígenas da Amazônia, que praticam rituais como o ''Uca-uca'', que lembram os movimentos da luta olímpica. ''As regras são as mesmas e nunca ouviram falar da luta. Existem também povos na Mongólia, na Rússia, na Turquia no mesmo sistema'', exemplifica. Neste final de semana, a seleção participa da seletiva para os Jogos Sul-Americanos de Medellín, na Colômbia, que vale vaga na competição marcada para março de 2010.

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