Rio - Luta não faltou no dojô do Riocentro ontem. Dentro e fora dos tatames. Na competição, o Brasil conquistou mais quatro medalhas no Pan-Americano do Rio: um ouro com João Derly, duas pratas com Daniela Ponzin e Erika Miranda e o bronze de Alexandre Lee. Sem intervenção de árbitros, mas por causa da decisão de um deles, uma briga generalizada envolveu dirigentes brasileiros e integrantes do Comitê Olímpico Cubano na arquibancada vip das autoridades do Riocentro. A confusão só foi controlada após a intervenção da Força de Segurança Nacional.
A confusão fora dos tatames começou quando a judoca Erica Miranda disputava a medalha de ouro na categoria meio-leve (-52 kg) com a cubana Sheila Espinosa. Nos primeiros cinco minutos de combate tudo terminou empatado. O ouro estava sendo definido no golden score, no qual vence quem conseguir um ponto primeiro. Quando faltavam menos de 30 segundos para o fim da luta, o árbitro dominicano Juan Chala puniu a brasileira com shidô alegando que Érika havia simulado três entradas falsas de golpe para evitar perder pontos por falta de combatividade.
O que se seguiu foi impressionante. Revoltada, a torcida vaiou a decisão e passou a xingar o árbitro com vários palavrões. Também atiraram vários líquidos sobre ele. Na sequência, algumas pessoas que estavam na parte esquerda da área vip passaram a jogar papéis sobre a delegação cubana, que estava no centro. A ex-jogadora de vôlei Regla Torres protestou e formou-se um tumulto na arquibancada vip central.
O ministro dos Esportes do Brasil, Orlando Silva, saiu rapidamente, escoltado por seguranças. Depois, determinou o descredenciamento dos presidentes da federação cearense de judô, Ednan Costa, e do Maranhão, Francisco Neto, acusados de agredirem a delegação cubana.
A confusão acabou envolvendo o ex-judoca Aurélio Miguel, que trabalhava logo acima do local onde ocorriam as lutas, como comentarista de uma emissora de TV. Acabou aclamado pela torcida após pegar um cubano pelos colarinhos. ''Quando vi a confusão, fui até lá tentar apartar. Foi quando percebi que um cubano estava tentando invadir as tribunas da Record. Aí eu o impedi'', defendeu-se Aurélio.
Para diminuir a ira da torcida, os judocas Leandro Guilheiro e Daniele Zangrando falaram ao microfone pedindo calma nas arquibancadas. Na sequência, antes de uma das cerimônias de premiação, todos os integrantes das delegações brasileiras e cubanas de judô entraram no tatame de mãos dadas.

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