A luta de braço é um esporte milenar. O desafio de duas pessoas utilizando os braços para definir o mais forte ultrapassa os limites da imaginação. Muito antes de Cristo, civilizações, como a egípcia, esboçavam esta prática em pinturas e escrituras. No Brasil, a luta de braço ou braço-de-ferro tornou-se esporte somente no início da década de 1950, quando começaram a ser realizados os primeiros campeonatos populares.
Apesar de disseminado há tantos séculos, a luta de braço tornou-se um esporte oficial internacionalmente somente em 1967, quando foi fundada a Federação Internacional de Luta de Braço, que hoje conta com 117 países filiados. No Brasil, foi oficializada em 1977, quando a modalidade foi incluída na Confederação Brasileira de Culturismo, entidade eclética que era responsável pela luta de braço, levantamento básico de potência e culturismo. Somente em 1994 foi criada a Confederação Brasileira de Luta de Braço (CBLB).
Desde então, a modalidade vem crescendo no País, que ocupa a primeira colocação no ranking mundial feminino e a segunda no masculino. O Brasil é ainda tricampeão mundial para portadores de necessidades especiais.
Em Londrina, o esporte também é bastante tradicional. A equipe londrinense de luta de braço é absoluta em termos de competições estaduais, com inúmeros títulos conquistados. Além disso, em pelo menos duas oportunidades, 1996 e 1997, Londrina foi vice-campeã brasileira por equipes, mesmo contando com um número inferior de atletas em relação aos demais participantes. ''Em 96, a diferença para São Paulo, que foi campeã, foi de um ponto'', conta Nelson Bianchini Júnior, o Nelsinho, considerado o grande atleta londrinense da modalidade.
Em 22 anos de carreira, Nelsinho conquistou o título brasileiro em seis oportunidades e participou de outros seis campeonatos mundiais tendo terminado em 5º lugar nos mundiais de 1998, no Canadá, e de 2004, em Indaiatuba (SP). ''Comecei a praticar em 1983 brincando com amigos. No ano seguinte, participei e ganhei meu primeiro campeonato paranaense'', conta.
Antidoping A longevidade e o sucesso na carreira, segundo o atleta, está diretamente ligado a um fator: nunca fez uso de anabolizantes. ''O maior efeito do anabolizante ocorre na parte psicológica. A pessoa que faz uso, se não tomar, acha que não tem força'', ressalta o hoje empresário, informando que o Brasil é um dos poucos países onde existe exame antidoping no esporte.
Sobre o crescimento no número de praticantes, Nelsinho observa que Hollywood teve papel fundamental. Segundo ele, o filme ''Falcão - o Campeão dos Campeões'', de 1987, estrelado por Sylvester Stallone mostrou o ''glamour do esporte''. ''No Brasil, as pessoas não levavam o esporte a sério. Mas o filme mostrou que nos Estados Unidos, os atletas são impulsionados pelos prêmios distribuídos nos campeonatos, como carros, motos e até caminhões como mostrado no filme.''

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