Um ano sobe para a Primeira Divisão do Paranaense, no outro cai para a Segundona. Quando o torcedor pensa, ''agora vai'', a Associação Portuguesa Londrinense decepciona e volta a ocupar a rabeira da competição estadual. Essa foi a rotina da Lusinha, após sua volta ao profissionalismo em 1997, depois de 36 anos fora de campeoantos oficiais.
O segundo time do coração dos londrinenses foi fundado em 1950 com o nome de Associação Atlética Portuguesa de Desportos, com o qual disputou os Paranaenses de 59, 60 e 61. Durante esse grande período longe do futebol profissional, a Lusinha reinou nos campeonatos amadores da cidade, sob o comando do ex-presidente Octávio Gianelli, o Limpa-Trilho, que dirigiu a equipe durante 22 anos.
Até que em 97, o folclórico empresário Amarildo Vieira Martins, ex-jogador de futebol, ex-árbitro e ex-dirigente amador, resolveu levar a equipe novamente ao profissional. Para isso, o nome mudou para Associação Portuguesa Londrinense. ''Um monte de jogador do Londrina vivia lá na minha empresa reclamando da vida, que não tinham dinheiro, que ficavam três meses trabalhando e o resto do ano parado. Aí resolvi montar outro time para empregar os jogadores da cidade que estavam parados'', explica Martins, atual diretor de futebol do clube.
Desde então, a Lusinha disputou todos os campeonatos profissionais do Estado, inicialmente na Segunda Divisão. Em 99 subiu para a primeira, junto aos grandes clubes do Estado. A partir daí, se alternou entre as duas divisões.
Títulos a Portuguesa não tem. O resultado mais expressivo que o clube da Vila Santa Terezinha já conseguiu foram os dois vices-campeonatos da Série A-1, em 99 e em 2001. No Estadual deste ano, a Portuguesa ficou na última colocação e disputará a Segundona o ano que vem, novamente.
A culpa desse sobe e desce, segundo Martins, é da falta de apoio da cidade, principalmente o financeiro. Em períodos de campeonatos, as despesas do clube giram em torno de R$ 40 mil mensais. ''A torcida é apaixonada pelo Londrina e esquece que a Lusinha também é da cidade'', reclama o dirigente.
Mas se o time não tem patrocínio, como arrumar dinheiro para bancar essas despesas? ''Temos que fazer 'a correria', se desdobrar e dar um jeito. Para tocar isso aqui (um clube de futebol no interior) tem que ser louco. Louco não, louco e meio'', brinca Martins.
O clube também é um revelador de talentos. Entre os vários jogadores conhecidos que começaram na Portuguesa estão o volante Willians, do Coritiba e o zagueiro Ânderson, do Corintnhians. Mas também já aconteceram as trapalhadas nas categorias de base do clube. O goleiro Gomes e o lateral-direito Maurinho, ambos titulares do Cruzeiro, fizeram testes por duas semanas na Lusinha e foram reprovados. ''A gente negocia bastante jogador, mas como estamos sempre apertados, vendemos barato'', comenta Martins.
''Um louco tocando e três ou quatro quase loucos ajudando. Essa é a história da Portuguesa Londrinense'', resume o dirigente. (T.M.)

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