Lusinha vira Grande Londrina Futebol Clube
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sexta-feira, 21 de abril de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
A diretoria da Portuguesa Londrinense resolveu agitar a sonolenta manhã de ontem e aproveitou a ausência de outros eventos no feriado para anunciar, em entrevista coletiva, o novo nome da agremiação, que passa a ser Grande Londrina Futebol Clube. O nome, entre mais de 100 opções que chegaram à diretoria sugeridas por esportistas e profissionais de mídia da cidade, foi idéia do ex-presidente do Londrina Esporte Clube (LEC), Marcelo Caldarelli, que agora está do outro lado e será parceiro da nova Lusinha.
Após incursões pelo futebol de Assaí (dirigiu o Assahi), Caldarelli decidiu retornar a Londrina, onde sua gestão no LEC (1996/97) ficou marcada por algumas jogadas de marketing mal-sucedidas. Uma foi a contratação de dois atores de tevê para o comando técnico do time: os globais Nuno Leal Maia e Romeu Evaristo, o Saci da série Sítio do Pica-Pau Amarelo. Outra foi a introdução das tubaretes (modelos da agência CDI que atuavam como gandulas) nos jogos do LEC.
Os laços entre Caldarelli e a nova Lusinha já se mostraram presentes ontem, pois o local onde aconteceu a coletiva foi o hotel do empresário. Caldarelli inicialmente cederá as instalações para reuniões da diretoria e hospedagem de jogadores que venham para disputar a Divisão de Acesso do Paranaense pelo clube.
A Segundona inicia no próximo dia 7 e no primeiro turno o Grande Londrina colocará em campo garotos da equipe de juniores que defenderam a Lusinha na Copa Tribuna, mesclados com alguns profissionais mais experientes, como o goleiro Nei, o ala Tom, o meia Everton Totó e o centroavante Marco Antônio.
Vamos colocar em campo o que de melhor o clube tem, que são os garotos formados aqui. O trabalho de base continua e com o passar dos anos teremos uma equipe forte com valores formados na cidade, promete Dorival Pagani, outro ex-presidente do Tubarão que reforçará a Lusinha será o diretor de futebol. Com sua entrada, o diretor Amarildo Vieira Martins muda de cargo, passando a coordenador do novo clube. Pagani pretende implantar um modelo de gestão semelhante ao que adotou com sucesso no LEC entre 89 e 94. Lembro que assumi o Londrina em 89 e decidi fazer um trabalho de base para que o time formasse jogadores. O sucesso veio em 92, quando fomos campeões estaduais e 80% dos atletas tinham vínculo com o LEC, entre eles o Souza, o Márcio Alcântara e o João Neves (zagueiros), o Aléssio (atacante), o Zé Humberto e o Biro (goleiros), recorda Pagani.
Ele fala com desgosto que, desde que saiu do comando, a política de formação de atletas no Tubarão mudou. De uns dez anos pra cá o Londrina tem trazido de fora uns 50 jogadores por ano e não mantém uma base. Aqui vamos fazer diferente: formar uma base ampla e ao invés de trazer, o caminho é vender alguns jogadores para fazer caixa, antecipou.
Mesmo que a diretoria negue essa intenção, as comparações com o LEC serão inevitáveis. Quando perguntado se haverá confusão na cabeça dos torcedores durante uma transmissão de jogo do Tubarão contra o novo clube, Caldarelli não perdeu a oportunidade de fazer uma brincadeira: Quando tiver derby local agora será o Grande Londrina contra o pequeno.
Perguntado sobre os recursos que investirá no clube, Caldarelli não falou em números. Disse apenas que conseguirá apoio de amigos e que pretende acertar parceria com um grupo de investidores do exterior, provavelmente da Itália ou Suíça, países onde jogou quando era atleta.


