Ele nunca escondeu: quando decidiu reprofissionalizar a Portuguesa, em 1997, seu sonho era criar uma segunda agremiação na cidade capaz de fazer frente ao Londrina, de dividir a torcida, de converter alvicelestes em rubro-verdes, até o ponto em que o derby, de fato, se tornasse um clássico quente.
Mais de meia década depois, a impressão é que o guerreiro captulou e está em negociação para aplicar a velha máxima: se você não pode com o inimigo, junte-se a ele.
A amizade com o empresário Júlio Lemos, o homem que enriqueceu com um prêmio milionário na loteria e que ao lado de Iran Campos é um dos patronos da Londrina Júnior Team, reaproximou Amarildo Vieira Martins do LEC, o clube onde um dia ele sonhou em ser jogador profissional.
Segundo ele, Lemos insiste em convidá-lo para ocupar um cargo no departamento de futebol profissional. ''Ele é meu irmão na fé. Somos da mesma igreja. Ele é um cara extraordinário. Já me convidou umas sete vezes'', conta. Por amor a Lusinha, os convites foram recusados. Mas nos últimos meses, começou outro tipo de negociação: Amarildo seria um dos cotistas da LJT, o que significaria uma espécie de ''fusão branca'' dos dois clubes.
Neste caso, a modesta estrutura da Portuguesa ficaria à disposição da LJT, que administraria os dois clubes. ''O Londrina seria a primeira equipe dos investidores e a Portuguesa seria a segunda'', explica. ''A Portuguesa profissional seria usada para dar experiência aos ex-juniores. Seria mais fácil lançá-los em uma equipe com menos cobrança''.
De acordo com a explicação do cartola, os juniores (sub-20 anos) do Londrina seria formado com jogadores mais experimentados e os da Lusinha formado por jogadores mais jovens. A mesma fórmula seria usada nos juvenis (sub-17) e nos infantis (sub-15). ''Tenho algumas vozes contrárias na minha diretoria e no Londrina o assunto também está sendo tratado''. Amarildo acredita que ainda este ano o acordo será fechado e a diretoria da Portuguesa assumiria cargos importantes na LJT.
''O Amarildo Vieira é um coitado. Não sei como ele conseguiu tocar a Portuguesa até agora. Foi um milagre. Se a Portuguesa tivesse um Iran Campos ou um Júlio Lemos seria certamente o primeiro time da cidade'', disse, referindo-se em terceira pessoa.
Indiretamente, ele culpou o rival por não ter mais apoio e por ter que abrir mão de um sonho. Para ele, as más administrações no passado do Tubarão provocaram uma aversão do empresariado londrinense ao investimento em futebol profissional, o que acabou condenando a Lusinha a inviabilidade econômica.

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