Lusinha oficializa parceria milionária
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de abril de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Nunca a sede da Portuguesa Londrinense esteve tão movimentada como nos últimos dias. Ontem, no final da tarde, jornalistas se acotovelavam na pequena sala do novo presidente, Cláudio Canuto. Todos queriam conhecer os homens que prometem colocar um ''caminhão'' de dinheiro e mudar a história do clube. Apenas um deles, porém, se apresentou e enfrentou as perguntas. Trata-se de Adenir Coelho da Silva, o novo homem-forte da Lusinha.
Adenir Silva é o diretor-administrativo da Futura Esportes, que assinou ontem um contrato de cinco anos de arrendamento da Portuguesa Londrinense, com opção para renovação por mais meia década. É ele quem, desde ontem, dá as cartas no clube. ''Como já estão falando por aí, será um contrato milionário'', adiantou Silva. Ele não chegou a falar em valores, mas segundo Canuto, o investimento mensal será de R$ 100 mil.
O parceiro ficará também com a dívida do clube, ainda sem valor estimado. ''Seja qual for, vamos gerenciar'', garantiu Silva.
Dois fatores foram determinantes para o fechamento do acordo: o Estádio do Café e as categorias de base. No contrato, ficou estipulado que os direitos federativos dos garotos da Lusinha serão divididos em 50% para o clube e a outra metade para a empresa. Já os atletas oriundos da Futura, a Portuguesa terá somente 20%. O Estádio do Café será arrendado também.
Os investimentos já começam nos próximos dias. ''A primeira etapa é preparar o alojamento para receber o grupo do futebol profissional'', explicou o diretor.
A Futura mandará inicialmente 28 jogadores, a partir da primeira semana de maio, e mais a comissão técnica completa, que deve ser encabeçada por Israel de Jesus, um ex-pagodeiro que virou treinador e chegou até a dar preleções tocando cavaquinho. ''Foi a fórmula que encontrou para descontrair, mas não utiliza mais'', esclareceu Silva.
Jesus é casado com uma das proprietárias da empresa e é sempre quem comanda as equipes parceiras. Foi assim na Portuguesa Santista, na Matonense e deve ser assim na Lusinha. O diretor tem uma justificativa. ''Ele implantou um sistema tático inovador, que é a grande sensação e foi muito bem'', contou Silva, com certa empolgação.
O sistema em questão ficou conhecido como ''roleta gigante'', ou ''roleta russa'', no qual nenhum jogador tem posição fixa e tem que correr o campo inteiro, marcando e atacando. Mas isso não vira bagunça? ''Não, porque os jogadores jogam junto há muito tempo e já estão acostumados'', justificou o diretor da empresa.
Quem não deve ficar na Lusinha é o folclórico Amarildo Vieira Martins. ''Estou tirando férias de dez anos'', brincou o dirigente que diz ter proposta do PSTC.
Matonense - Por duas vezes, Silva confundiu os nomes dos dois clubes parceiros, chamando a Lusinha de Matonense. Também pudera. A confusão no clube da Série A-2 Paulista foi enorme e virou até caso de polícia. ''Foi uma experiência desagradável. Fizemos um contrato de dois anos em junho de 2004. Primeiro disputamos a Copa FPF, que não é rentável, e no fim do ano, quando estava prestes a começar o Paulistão, o presidente (Oberdan Silva, ex-funcionário da empresa), de forma traiçoeira rompeu a parceria e deu no que deu. Mas ganhamos na Justiça. Gastamos R$ 1 milhão lá'', esclareceu o dirigente.


