São Paulo, 29 (AE) - Há cerca de cinco meses no comando da Portuguesa, o técnico Zagallo, tetracampeão mundial, foi, de certa forma, obrigado a explorar com todas as forças seu lado "estrategista". Bons eram os tempos de seleção brasileira em que o treinador tinha a sua disposição craques em abundância para escalar um time. Na Lusa, com um elenco modesto, Zagallo tem de contar muito mais com a tática do que com a técnica para conseguir as vitórias. "A parte tática é fundamental em qualquer situação, mas, principalmente nos clubes", diz. A um empate da disputa da fase decisiva do Campeonato Paulista - Zagallo pode deixar o clube ao fim da competição -, a Portuguesa tem trilhado seu caminho com improvisações e variações táticas de acordo com o adversário. Neste domingo, por exemplo, Pintado deve reforçar o meio-de-campo, em um esquema com três volantes. "Quando faço uma substituição durante o jogo, às vezes, tenho de mudar toda a configuração tática da equipe", afirma. Além de um elenco enxuto e de poucas opções, Zagallo ainda teve de amargar seguidas contusões de atletas importantes. Contar com o talento de um craque que pode decidir um jogo, algo comum na seleção, é outra carência que Zagallo tem de conviver no seu dia-a-dia no Canindé. Perguntado se conta, na Portuguesa, com um atleta capaz de desequilibrar uma partida em instantes, Zagallo pensa e acaba não citando nomes. "Em um clube, você tem de apostar no grupo e não apenas em um jogador", justifica. Como treinador de clube, Zagallo também sentiu na pele o que é perder um jogador importante para a seleção em uma competição decisiva. "Aconteceu uma vez com o César (zagueiro) e eu chiei", lembra. "Quando chamava os jogadores para a seleção, tentava preservar, ao máximo, os clubes; é preciso ter coerência." Zagallo cutuca apesar de dizer que não comenta os critérios de convocação de Wanderley Luxemburgo, seu sucessor. Vantagem - No clube, porém, Zagallo conseguiu encontrar tempo para desenvolver seu trabalho. "Dá para fazer um planejamento melhor, passar meus conhecimentos para os atletas", afirma. Na seleção, treinos antes de amistosos nem sempre eram possíveis ou adequados. "E a obrigação de ganhar sempre existiu, porque, quando a camisa verde-amarela entra em campo, ninguém aceita desculpas", diz. Na seleção, Zagallo tinha o esquema tático na mente e ajustava os atletas ao que queria. "Depois de muitas convocações, muitos jogadores até sabiam qual a função que teriam de desempenhar em campo." Na Portuguesa, Zagallo também conseguiu se libertar dos constantes pedidos para escalar este ou aquele jogador. Para ele
não havia aborrecimento, no entanto. "Nunca deixei que estas pressões tivessem influência no meu trabalho." Ficha Técnica - Palmeiras - Marcos; Arce, Roque Júnior, Júnior Baiano (Agnaldo) e Júnior; César Sampaio, Rogério, Alex e Zinho; Paulo Nunes e Oseas. Técnico Luiz Felipe Scolari. Portuguesa - Márcio; Márcio Goiano, Emerson, César e Augusto; Pintado, Simão, Carlinhos, Evandro e Alexandre; Hernani. Técnico
Zagallo. Juiz - Paulo César de Oliveira Local - Palestra Itália

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