Áureo Nogueira
De Londrina
A rodada do Campeonato Paranaense deste meio de semana marca mais um capítulo na recente rivalidade entre o Londrina e a Portuguesa fora de campo. Como a tabela prevê que joguem em casa e ambos mandem suas partidas no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), havia a possibilidade de uma rodada dupla. Mas o Londrina não aceitou a proposta da Lusa e a Federação marcou o jogo da Portuguesa contra o Paraná Clube para as 16 horas e o do Londrina com o Francisco Beltrão para as 20h30.
A diretoria rubro-verde não gostou e o time vai jogar sob protesto. ‘‘Vamos entrar em campo com uma tarja preta’’, disse à Folha o diretor de futebol, Amarildo Vieira, logo depois de ser informado de que a Federação marcara a partida para o período da tarde.
‘‘Lamentamos profundamente esta decisão. Jogando à tarde, vamos ter prejuízo’’, disse o dirigente, acrescentando que a responsabilidade pela inviabilização da rodada dupla é do coordenador-geral do Londrina, Célio Guergoletto. ‘‘Aliás, tudo de ruim que tem acontecido para a Portuguesa tem o dedo do Guergoletto. Ele tem ciúme da Lusa.’’
Amarildo fez questão de ressalvar, entretanto, que a divergência não é com o Londrina. ‘‘Nosso problema não é com o clube. É com a pessoa de Célio Guergoletto. Ele comemora as nossas derrotas.’’
Guergoletto evita polemizar, mas admite que vetou a realização da rodada dupla por causa de problemas de relacionamento. ‘‘A diretoria não pode compactuar com quem deseja o fim do Londrina’’, disse Guergoletto, referindo-se especificamente a um dos diretores da Portuguesa que teria requerido junto à Confederação Brasileira de Futebol a extinção do Londrina por causa de dívidas trabalhistas.
Outro fator levantado pelo coordenador do Tubarão é o bloqueio de uma das parcelas da participação do clube na transmissão do campeonato pela televisão, negociada pelo Clube dos 9 (entidade que reúne os times do interior do Estado). De acordo com Guergoletto, uma carta precatória da Justiça do Trabalho impediu o repasse da principal fonte de recursos do LEC neste Paranaense.
‘‘Não quero acusar ninguém. Mas somente o presidente do Clube dos 9, Antônio Mikulis, o representante dos clubes da Capital, Juarez Malucelli, e o diretor Jurídico da Portuguesa, Hélio Camargo, conhecem detalhadamente o contrato e a forma de repasse da verba da televisão’’, disse o dirigente, sugerindo que o credor que conseguiu a precatória tenha recebido informações privilegiadas.
Guergoletto disse ainda que não aceitou a rodada dupla porque se sentiu traído. ‘‘A rivalidade entre os clubes deveria ocorrer apenas dentro do campo. Gostaríamos de fazer a política da boa vizinhança, mas infelizmente não está sendo possível.’’
Dentro do campo os jogadores do Londrina e da Portuguesa continuam treinando. No Tubarão, haverá coletivo hoje pela manhã; na Lusa, à tarde. O LEC recebeu mais quatro reforços: os atacante Alex Luís e Aléssio, que já estrearam contra o Malutrom e Paraná Clube, respectivamente; e o volante Marcão e o lateral Antônio Marcos, que se integararam ontem.