São Paulo, 07 (AE) - Foram só dois jogos incompletos. O passe para o gol da vitória contra o Palmeiras e um gol contra a Inter. O suficiente para que, em quatro dias, a vida de Edu, 20 anos, se transformasse. Hoje, confirmado como titular para o jogo contra a Matonense, o atacante tem a convicção de que a Portuguesa ganhou um atleta promissor e o Brasil perdeu um office-boy esforçado.
"Fora jogar futebol, eu não sei fazer nada; se não conseguisse me transformar num profissional, eu só poderia ser office-boy, afirmou. "Gente humilde como eu, para vencer na vida, precisa virar jogador ou cantor.
A batalha de Edu pela bola começou aos 8 anos no futebol de salão do A.D. Guarulhos. Mesmo baixinho (1,63 metro), ele logo foi para o campo, desembarcando na Lusa em 96. O time de Guarulhos ainda é dono de 17% do passe.
Com salário de R$ 1.200 (o prêmio por vitória no clube é de R$ 1.500), Edu tem investido na construção de uma casa para a mãe, d. Agripina, a quem deve eterna gratidão. "Ela sempre me incentivou a jogar, mesmo nas dificuldades, com outros cinco filhos para sustentar e separada do meu pai."
Domingo, contra a Matonense, o garoto tem a prova de fogo. Vai substituir Reinaldo, machucado, e entrar pela primeira vez desde o início. "Foi o Edu quem se escalou; ele aproveitou as chances que teve, afirmou o técnico Zagallo, que "descobriu o atleta num jogo dos juniores em que observava outro atleta indicado. "Desde o começo, esse carequinha me chamou a atenção; ele apareceu num momento inesperado, mas o destino escreve certo por linhas tortas.
Contraste - O entusiasmo de Edu esconde o clima tenso pelo qual passa a Lusa, depois do desastroso empate com a Inter, que complicou o time no Paulista. Além dos problemas em campo, outra denúncia de suborno atingiu o clube. Agora, num jogo contra o Remo, pela Copa do Brasil de 98. O promotor Pedro Manuel Ramos já pediu abertura de inquérito e pretende solicitar também a quebra do sigilo bancário dos envolvidos.

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