São Paulo - O técnico da seleção brasileira masculina de basquete, Lula Ferreira, desembarcou na manhã de ontem, em Guarulhos (SP), sem responder a grande questão do dia: se continuará ou não no comando da equipe para o Pré-olímpico Mundial, em 2008. ''Eu não vou responder isso agora. Existem duas partes envolvidas, eu e a CBB. O que tem de ser considerado é se ambas querem a mesma coisa'', disse, ao ser perguntado se gostaria ou não de permanecer na função.
Ainda nos Estados Unidos, o presidente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Gerasime Grego Bozikis, que não desembarcou com o grupo em São Paulo, avisou que só falaria sobre o assunto após o feriado de 7 de setembro. Antes do anúncio da decisão, a diretoria da entidade e a comissão técnica atual se reúnem para fazer uma avaliação do trabalho realizado. ''Esta é uma decisão da Confederação. Eu quero trabalhar enquanto posso ajudar. Não tenho nada definido. A decisão não pode ser tomada imediatamente após uma competição porque é uma decisão importante para o basquete brasileiro'', explicou o treinador.
O Brasil voltou do Pré-olímpico das Américas, em Las Vegas, com a quarta colocação. O resultado não garantiu vaga imediata para os Jogos de Pequim-2008, mas deu direito ao grupo de participar do Pré-Mundial no ano que vem. De acordo com Lula, serão estes os aspectos a serem considerados na avaliação final. ''Temos que ver o trabalho realizado, o que foi conquistado e o cenário que está chegando (outro Pré-Olímpico) e ver se vale a pena'', disse Lula.
Deixando seu destino nas mãos do consenso final, o treinador diz que a prioridade é pensar na meta maior do país: por fim à espera de 11 anos por uma participação olímpica. Desde os Jogos de Atlanta-96, a seleção brasileira não disputa uma Olimpíada. ''O importante é o basquete brasileiro definir o seu projeto. Em Las Vegas, não conseguiu seu objetivo. Mas isso não quer dizer que tenha feito tudo errado. Claro que fica um sentimento de frustração muito grande'', reconheceu o treinador.
Lula chamou para si a responsabilidade pelo fracasso em Las Vegas. ''A seleção brasileira não perdeu por problemas externos. O Brasil perdeu na quadra, por não superar o adversário'', afirmou. A referência indireta foi feita a supostos problemas de bastidores, noticiados pela imprensa nos últimos dias da competição.
Durante a participação brasileira em Las Vegas, a seleção conviveu com notícias sobre rachas dentro do grupo. Mas esta não foi a única notícia negativa envolvendo a seleção. O ala Marquinhos afirmou que os jogadores haviam se unido contra o técnico e, para completar, o armador Nezinho recusou-se a entrar em quadra em um dos jogos.
Apesar de tudo isso, todos foram unânimes em afirmar que o problema nacional ficou restrito às quatro linhas. ''Isso atrapalhou, mas foi o Brasil que não soube segurar o resultado (contra a Argentina, na semifinal)'', resumiu o armador Leandrinho.
O pivô Tiago Splitter voltou a negar a divisão interna no grupo. ''Não teve nada disso. Infelizmente, não deu para conseguir a vaga, mas vamos continuar a luta'', prometeu Tiago.
Leandrinho garante que a equipe que competiu em Las Vegas foi a melhor formação com a qual defendeu a seleção e nega que o time não saiba administrar a vitória. ''Esta seleção sabe ganhar sim. O resultado é que não foi como a gente queria'', disse Leandrinho.

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