Nova York - Os Jogos Olímpicos não podem ser um privilégio dos Estados Unidos ou da Europa, afirmou ontem o presidente Luis Inácio Lula da Silva, que fez uma ''defesa social'' da candidatura de Rio do Janeiro como sede olímpica em 2016.
''Os Jogos Olímpicos não podem ser apenas Jogos europeus ou norte-americanos, têm que ser do mundo inteiro'', enfatizou em um encontro com jornalistas estrangeiros em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU, quando apresentou com entusiasmo os argumentos que, em sua opinião, fazem com que a cidade carioca a melhor candidata.
A escolha da cidade sede dos Jogos de 2016 acontecerá no dia 2 de outubro, em Copenhague, e Lula já anunciou sua presença. O Rio compete com Chicago, Madri e Tóquio. ''O Brasil está convicto de que o Rio de Janeiro tem para oferecer tudo o que as demais têm a oferecer, e um pouco mais'', afirmou Lula.
A estratégia do Brasil consiste, segundo Lula, em fazer toda a sociedade brasileira participar no evento. ''Para o Brasil, os Jogos Olímpicos serão a reafirmação da autoestima de um povo''.
Lula recordou que, de acordo com a revista Forbes, o brasileiro é o ''o povo mais alegre do mundo'' e, segundo ele, o ''Brasil vai ficar em estado de graça se for escolhido''. ''Queremos garantir a participação da sociedade brasileira na organização'', explicou, esclarecendo ainda que a estratégia de seu país não consiste em esconder os problemas e sim mostrar seu potencial extraordinário.
Lula afirmou ainda que, em termos de infraestrutura, o Rio se beneficiará das instalações previstas para o Mundial da Fifa dois anos antes. Mas admitiu que a insegurança é um problema no Rio. ''É verdade que existe esse problema no Rio, mas também existe em Madri, Tóquio e Chicago''. ''O Brasil é um dos países do mundo onde não há atentados''.
Segundo ele, as pessoas que vivem nas favelas cariocas serão associadas ao dispostivo de segurança, uma iniciativa que já deu resultados na recente organização dos Jogos Pan-americanos-2007. ''Estamos tranquilos quanto às questões de segurança e infraestrutura'', comentou, acrescentando que não se trata apenas de uma simples candidatura de uma cidade e sim uma ''proposta de Estado, que será ratificada pelo Congresso brasileiro como um compromisso nacional''.
Lula considera que a candidatura brasileira é objetivamente a mais sólida e questionou com que argumentos os delegados do COI poderão negar o evento ao Rio. ''As pessoas percebem que o Brasil é uma das dez maiores economias do mundo e que nunca organizou os Jogos Olímpicos'', censurou Lula.
O presidente também se mostrou favorável que a África também possa organizar o evento num futuro próximo e destacou que os atletas do mundo inteiro ''são, no geral, pobres'', pelo menos antes de se consagrar no esporte.
Segundo Lula, se o Brasil conseguiu se converter numa das economias mais sólidas do mundo, também pode fazê-lo no esporte.

mockup