Brasília - Preocupado com a repercussão negativa da polêmica com Ronaldo às vésperas da estréia da seleção brasileira na Copa do Mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu mandar para o jogador por fax uma carta na qual reafirma o carinho que tem pelo atacante e diz que continua torcendo por ele. Na véspera, durante videoconferência com a seleção, o presidente perguntou se Ronaldo estava mesmo gordo.
Ronaldo reagiu atribuindo o debate sobre seu peso a informações desencontradas. Tão logo foi divulgada a declaração de Ronaldo instalou-se um clima de constrangimento no Planalto. O episódio mobilizou a assessoria de Lula em Brasília e no Rio de Janeiro, onde o presidente passou o dia cumprindo agenda de sua ainda não assumida campanha pela reeleição.
No Planalto, tentou-se alegar que Lula quis ajudar o jogador, fazendo a pergunta para encerrar as especulações sobre as condições físicas de Ronaldo. A resposta de Ronaldo, considerada despropositada por alguns assessores do presidente, foi avaliada como reflexo da tensão frente à estréia do time e dos problemas que o atleta vem enfrentando nos últimos dias, como as bolhas nos pés e a febre provocada por uma gripe.
Como futebol é um dos assuntos prediletos de Lula, que costuma rechear seus discursos com metáforas sobre o assunto, o caso foi encarado com muita cautela pelo governo, que decidiu agir rápido para tentar encerrar a discussão. Comentários sobre os hábitos etílicos do presidente costumam ser motivo de grandes preocupações no Planalto e já foi motivo de tentativa de expulsão do jornalista Larry Rotter, correspondente do New York Times que escreveu um artigo sobre o assunto.
Peso Ronaldo evita falar dos quilos que teria ganho nos últimos anos, mas é visível o aumento de peso em suas costas. Desde o início do ano, o craque tem vivido sua ''via-crucis'' de lesões e polêmicas extra-campo. Para ele, a Copa do Mundo sempre foi cercada de expectativa e dor. Em 98, sofreu com dores no joelho e uma convulsão e o vice-campeonato. Em 2002, antes da consagração do título e da artilharia, conviveu com uma penosa recuperação de cirurgia no joelho. Às vésperas de seu quarto Mundial, o terceiro como titular, o craque novamente se alimenta de problemas e dúvidas para se tonar o fiel da balança na campanha brasileira.
Terceiro artilheiro da seleção brasileira, com 70 gols contra 71 de Romário e 95 de Pelé, Ronaldo pode se tornar o maior de todos em Copas. Hoje, ele está empatado com Pelé com 12 gols cada. Nos 14 jogos que disputou em 98 e 2002, o atacante tem média de 0,86 gol por partida. O retrospecto mostra que não se deve duvidar de Ronaldo. Apesar da fase de vacas magras, o artilheiro ainda tem muita gordura para queimar. (Das agências)

mockup