Lula confirma que Pré-Olímpico é prioridade
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quinta-feira, 31 de maio de 2007
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Aloízio Ferreira, ou apenas Lula, carrega um peso e tanto nas costas, acumulado durante 11 anos. Ele é o técnico da seleção brasileira de basquete masculino e tem a árdua missão de tentar novamente recolocar a equipe nacional nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. O País não frequenta a competição desde 1996, ainda com Oscar e outros veteranos da época no time.
Apesar da invasão brasileira na NBA, a milionária liga profissional dos Estados Unidos, e na Europa, onde o esporte também é muito forte, o panorama não é nada bom para o país na modalidade. Os principais jogadores deixaram o Brasil. O principal deles, o pivô Nenê, do Denver Nuggets (EUA), já avisou que não quer saber da seleção enquanto Gerasime Bozikis, o Grego, permanecer à frente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB). Os times brasileiros andam mal das pernas e o nível do campeonato nacional é deprimente. Para piorar, a seleção brasileira terá que duelar com nada mais nada menos que Estados Unidos, Argentina, Canadá e Porto Rico. Apenas dois deles vão para a Olimpíada.
Em visita a Londrina, onde acompanha a seleção Sub-17, sob o comando do técnico da Inesul/Londrina, José Henrique Saviani, Lula falou à FOLHA sobre as dificuldades da equipe brasileira e do que espera para o futuro próximo do basquete nacional.
Pan x Pré-Olímpico
O técnico confirmou que a priopridade é mesmo a vaga na Olímpiada. Por isso, O Pan do Rio de Janeiro será uma espécie de teste antes do Pré-Olímpico dos Estados Unidos, em agosto. ''O Pré é importante porque as duas vagas olímpicas estão em jogo. Por isso, vamos privilegiá-lo, mas o planejamento engloba o Pan-Americano, que é especial por ser aqui no Brasil, no Rio de Janeiro. Temos um compromisso com o povo. Precisamos dar o exemplo que o esporte é um grande caminho para mudar esse quadro atual de violência. O Pan é a preparação, mas isso não tira a responsabilidade.''
Pan é ilusão?
Historicamente, os Jogos Pan-Americanos são desprezados por algumas equipes e este ano não será diferente. Os americanos não mandarão seus astros da NBA, o mesmo acontece com a seleção argentina. O Canadá deve seguir o mesmo caminho. Com as potências usando suas equipes B, o caminho fica livre para o tricampeonato brasileiro - o Brasil foi ouro em Winnipeg-1999 e Santo Domingo-2003. Ao mesmo tempo, fica a ilusão de que o time está pronto para conseguir a vaga na Olimpíada. Mas não é o que pensa Lula. ''Em 2003 ganhamos o Pan, fomos para o Pré-Olímpico e não conseguimos ir para a Olímpiada. Ninguém é inocente em pensar em ganhar o Pan e achar que já está tudo bom, tudo ótimo. São jogadores rodados, que sabem das dificuldades que enfrentarão no Pré-Olímpico.''
Favoritos
Lula está otimista. Acredita que pode recolocar o Brasil nos Jogos Olímpicos e coloca a seleção brasileira entre os favoritos às duas vagas das Américas na competição. Ele faz questão de ressaltar que, segundo sua opinião, o basquete brasileiro não é decadente como é exposto. ''Respeitamos todos os adversários, mas apontaria cinco seleções na briga pelas duas vagas: Argentina, Brasil, Canadá, Estados Unidos e Porto Rico. O Canadá sem o Steve Nash (armador que atua ao lado de Leandrinho no Phoenix Suns) muda da água para o vinho. A vaga olímpica é muito dura e a imprensa, sem saber, trata como se fosse uma decadência. A França foi vice-campeã olímpica em 2000 e em 2004 nem foi para Atenas. Não é só com o Brasil que isso acontece. É uma vaga para o país-sede e outra para o campeão mundial. Sobram dez apenas, duas delas para o continente americano. É difícil? Claro que é. O Brasil tem chances? É um forte candidato.''
Atletas do exterior
Lula convocou os jogadores que atuam no exterior para o Pan do Rio de Janeiro. No entanto, não sabe se poderá contar com eles para a disputa da competição. Nenê é a única certeza de baixa. ''Com exceção do Nenê, todos querem vir. Eles têm carinho pela seleção. Agora, temos algumas dificuldades. O Leandrinho operou o cotovelo, o Anderson Varejão está envolvido com os playoffs da NBA, o Tiago Spliter aguarda o draft (da NBA) e o Rafael Baby deve ficar por lá tratando sua renovação de contrato e a permanência na NBA. Na Europa, temos o Guilherme Giovanini, na Itália, e o Marcelinho Huertas, na Espanha, que também estão nos playoffs. Mas, se o Brasil não tiver força máxima em 100%, dá para dizer que estaremos bem representados.''
Nenê
O pivô Nenê, do Denver Nuggets, já cansou de afirmar que não disputaria o Pan e o Pré-Olímpico em protesto contra a atual administração da CBB. Ainda assim, Lula convocou o atleta para o evento do Rio de Janeiro, assim como já havia feito para o Mundial do Japão do ano passado. ''É uma decisão pessoal dele e eu respeito. Acho que nós brasileiros temos o compromisso com a pátria, de colaboração com o nosso país.''
Marquinhos
Lula explicou a situação do ala Marquinhos, do New Orleans Hornets. Especulações davam conta de que o relacionamento entre os dois não era nada bom. ''Quando fazia parte da seleção de base, em 2004, teve uma contusão leve e preferiu sair da seleção para cuidar e fazer um contrato na Europa. Não gostamos da forma como se encaminhou e ficou fora da convocação. Mas não foi uma punição. Quando redirecionou a carreira de forma correta, no nosso entendimento, conversamos e voltou a ser chamado.''


