São Paulo - Campeão de Estaduais, Brasileiro, Libertadores e Copa do Mundo, o atacante Luizão, 32 anos, é um exemplo da realidade criada pela Lei Pelé. Em 17 anos de carreira profissional, passou por 14 clubes, incluindo os quatro grandes de São Paulo e três do Rio.
Episódios envolvendo o jogador mostraram os contrastes de antes e depois da mudança na legislação. Entre outras vitórias na Justiça, o jogador penhorou o estádio do Corinthians como garantia de uma dívida com o clube.
Mas, no início de sua carreira, quando a Lei do Passe ainda existia, Luizão foi impedido de trocar o Guarani pelo Palmeiras pelo presidente do time campineiro, Beto Zini, que se recusava a vendê-lo. A transferência ocorreu mais tarde. ''Sempre tentava colocar cláusula de liberação nos contratos. Sem a Lei Pelé, eu teria ficado mais tempo nos clubes. Antes, o jogador só tinha mais liberdade quando ficava mais velho'', declarou o atacante, atualmente no São Caetano.
Nas negociações com os clubes, ele acertava os salários com os cartolas, mas sempre tinha um advogado para examinar os detalhes dos contratos. Chegou até a levar um palmeirense para dentro do Parque São Jorge. ''Quando fui negociar com o Corinthians, procurei o (Gilberto) Cipullo (hoje vice do Palmeiras) para acertar o meu contrato'', revelou.
Contou só ter mandado intermediários para representá-lo quando estava fora do País. Mas ele mesmo já desempenhou a função de procurador do lateral-direito Maurinho, que afirma ter emplacado no Santos e no São Paulo. ''Foi uma brincadeira entre eu e o Vampeta, quando estávamos vendo um jogo em Rio Preto. E aí decidi representar o Maurinho. Fiz muito pela carreira dele'', contou o atacante, que diz ser frequentemente procurado por outros jogadores pela mesma razão.
A situação de Luizão é emblemática da lei não apenas pela profusão dos uniformes que vestiu, pelas maneiras como negociou suas saídas e pelo fato de ter sido vítima de contumazes atrasos de salário. Também são simbólicos seu clube de origem e o atual.
O time que o revelou, o Guarani, e a equipe de hoje, o São Caetano, vivenciaram situações opostas após a Lei Pelé. Foi nesse período que a equipe do ABC despontou no País, chegando a dois vices do Brasileiro e um da Libertadores, quase sem categorias de base.
Por outro lado, o time campineiro, que sobrevivia nos anos 70 e 80 negociando jogadores formados lá, definhou, amargando rebaixamentos no Brasileiro e no Paulista, em que pode ser rebaixado de novo agora. ''Sempre montamos bons times, pois observamos muito o interior paulista e os outros Estados. Em 2000, não tínhamos nomes conhecidos e fomos vices com jogadores como Adhemar, Silvio Luiz, Serginho e César. Eles chegaram já formados e depois foram vendidos'', lembrou Nairo Ferreira de Souza, presidente do São Caetano.
Para Luizão, a decadência do Guarani é fruto do desmonte de suas divisões de base, pouco antes da Lei Pelé. (L.F. e R.M./Folhapress)

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