Luiz Cláudio Oliveira
Os águas verdes me deixaram com saudade do Zé Carioca. Vendo o jogo alegre, destemido e um tanto anárquico dos nigerianos, sinceramente fiquei com saudade do Brasil. Saudade daqueles tempos em que não existia ainda a tecnocracia no futebol. Um tempo em que os técnicos não engessavam os jogadores em esquemas ferrenhos. Esquemas em que qualquer desobediência pode custar a posição de titular, mesmo que o desobediente seja apenas o melhor jogador do time procurando um caminho diferente para o gol.
Hoje, no Brasil, não é o mais o craque quem manda no futebol. Agora, é o técnico o todo poderoso, com poderes até para tirar o craque do time. Não vemos mais aquela alegria quase irresponsável em nossos atletas. Agora, essa alegria está nos pés e nos sorrisos dos nigerianos. Enquanto isso, nossos jogadores brigam uns com os outros, discutem e quase se dão cabeçadas. Não se divertem e nem nos divertem.
Nós ficamos do lado de cá da telinha roendo unhas, sempre preocupados com a segurança de nossa defesa, quando deveríamos estar rindo com as artimanhas de nosso ataque que tem categoria suficiente para meter uma bola pelo meio das pernas de um gringo desavisado, dar um chapeuzinho, uma meia-lua (termo bem mais bonito que drible de vaca), uma folha-seca, uma bicicleta (há quanto tempo você não vê uma bicicleta na tentativa de marcar um gol?). Não, hoje tudo isso é, no linguajar do técnico, individualismo que prejudica o trabalho do grupo.
É claro que continuo torcendo para a Seleção Brasileira, mas torço também para a volta da alegria no futebol. E o time mais alegre desta Copa da França é o da Nigéria. Não sei onde esses águias verdes vão nesta competição. Talvez cruzem com o Brasil nas quartas-de-final. Se esse confronto acontecer, será como jogarmos contra o nosso próprio passado.
Deixando um pouco de sonhar e indo para a parte prática da competição, a segunda rodada desta primeira fase da Copa teve os times bem mais soltos. Várias goleadas aconteceram. A decepção foi a Alemanha, que empatou com a Iugoslávia no final do barril. Os alemães, apesar disso, mostraram força de recuperação depois de estarem perdendo de dois a zero. Mas foram por demais burocráticos, além do goleirão Kopke ter entregado o salsichão nos dois gols da Iugoslávia.
Para nós, sul-americanos, Brasil e Argentina já estão classificados e ainda existem boas condições de Colômbia e Paraguai passarem às oitavas-de-final.
A Holanda desabrochou, mas não dá para falar muita coisa pois o adversário era a fraca Coréia, que só sabe correr. Deveria mudar o nome para Corréia.
A França, até agora, foi uma péssima anfitriã e desferiu baguetadas na África do Sul e na Arábia Saudita. Sobrou até para o Parreira que, apesar do nome, não se deu bem na terra do vinho.





