Criar uma nova Federação, como os clubes estão sugerindo, pode ser muito bom para o futebol paranaense. Mas não basta. Além de criar uma nova Federação, é preciso profissionalizá-la com gente competente. Não adianta por um testa de ferro que venha a servir os interesses pessoais ou clubísticos de uma força poderosa. É preciso pensar em conjunto. O futebol do Paraná só será grande quando todos forem grandes.
Além disso, não dá para deixar os cadáveres pelo caminho. É preciso enterrá-los. A Lei Pelé prevê que os dirigentes responderão com seu próprio patrimônio pelas dívidas contraídas em cada gestão. Quer dizer que se Onaireves não renunciar antes da aprovação da lei, pode ter que vender sua Mercedes Benz blindada e alguns caminhões de aço, além do bingo para pagar os R$ 14 milhões em dívidas.
A bola volta a rolar no fim de semana. Os clubes vão a campo trabalhar para pagar as dívidas da Federação, como se não bastassem as suas próprias. O certo deveria ser o inverso: a Federação, com competência e planejamento, ajudaria os clubes a superar as dificuldades financeiras.Atletas em êxodo
O leitor Nelson Carlos Ferreira, de Barbosa Ferraz, envia uma correspondência para esta coluna na qual comenta o que foi dito aqui sobre a falta de apoio e o consequente êxodo dos atletas paranaenses, num texto escrito logo depois que o paranaense Emerson Iser Bem venceu a corrida de São Silvestre. Reproduzimos aqui um dos parágrafos:
‘‘Casos como o de Emerson (que precisou sair do Paraná para poder continuar no atletismo) posso citar alguns tais como o de Nelson Ferreira Junior, 24 anos, de Barbosa Ferraz, atualmente dono do melhor currículo no atletismo nacional, pratica salto em distância e hoje está na Funilense; Celso Kochen, de Medianeira, ex-campeão sul-americano de arremesso de dardo e campeão brasileiro do decatlo, foi para o Mato Grosso e depois Funilense; Rubia Soares, 17 anos, de Campo Mourão, um dos destaques paranaense na prova dos 400 metros rasos, hoje está também em Presidente Prudente; Robson Soares ‘‘Mudinho’’, outro grande valor de Campo Mourão, 18 anos, campeão paranaense juvenil, também está em Presidente Prudente; Anderson Salvadori, 19 anos, de Curitiba, decatlo, está também na Funilense; Roseli Machado, paranaense ganhadora da São Silvestre de 96, também está em São Paulo; Sheila Juvelina Ferreira, que competia por Campo Mourão, nas provas dos 200 metros e 400 metros rasos, de 17 anos, foi em 97 a 3ª melhor atleta juvenil de São Paulo na prova dos 200 metros rasos, também por Presidente Prudente, e assim tantos outros que eu poderia citar, mas que por falta de espaço irei omitir’’.

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