Luiz Claudio Oliveira

A São Silvestre e o novo Paraná
Um paranaense, ex-lavrador em Santo Antônio do Sudoeste, que aprendeu a correr indo atrás dos bezerros no campo, venceu a São Silvestre numa ultrapassagem espetacular sobre o favorito Paul Tergat - queniano que era bicampeão da prova e buscava o tricampeonato. Esse antes desconhecido, que agora tem o nome estampado nas manchetes dos jornais, Emerson Iser Bem, é o retrato do esporte no Paraná.
Como todos sabem, o Paraná confirma aquele lugar comum de ser um ‘‘celeiro de craques’’. Na São Silvestre de 96, outra paranaense, Roseli Machado, também foi a vencedora. O problema é que os grandes atletas do estado são obrigados a sair do Paraná para poderem continuar competindo. Aconteceu tanto com Iser Bem quanto com Roseli.
O mesmo acontece em qualquer esporte, dos mais populares como o futebol, o vôlei, a natação, aos mais desconhecidos, como o beisebol, o ciclismo. Cada esporte têm seus exemplos de atletas com grande potencial que tiveram que sair do Paraná para conseguir patrocínio. O atleta que se destaca logo se vê na difícil tarefa de ter que decidir se continua por aqui, sem ajuda de patrocinadores, mas junto com a família, ou se aceita os convites - que sempre chegam - para se transferir a clubes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou mesmo do exterior.
Iser Bem mora em Piracicaba, compete pela Asics/Funilense e recebe R$ 2,4 mil por mês, além de material esportivo, passagens e apoio para as competições dentro e fora do Brasil. Será que nenhuma empresa instalada aqui poderia patrocinar um atleta como ele?
Espera-se que com os projetos de esporte que o governo do Paraná vem anunciando este retrato possa ser modificado. O Rexona está aí, funcionando. Além da importância de já ter um time liderando a Superliga feminina de vôlei, o projeto segue firme com centros de formação de novas jogadoras de vôlei em todo o estado. Da massificação tira-se o atleta de nível superior que pode vir a integrar o próprio Rexona, ou até mesmo a seleção. A promessa é que Joaquim Cruz venha a fazer com o atletismo o mesmo que hoje faz Bernardinho pelo vôlei. Hortência e Ubiratã cuidariam do basquete e o Xuxa da natação. Para que isso dê certo, é preciso apoio da iniciativa privada. É fácil. Basta compreender que não se trata de uma ajuda, mas de um investimento lucrativo tanto para o atleta quanto para a empresa que apostar no marketing esportivo.
Façam as contas senhores empresários, de quanto se gastaria para comprar espaço nas principais páginas dos jornais e nos principais horários das televisões anunciando seu produto ou sua marca. Pense que os R$ 2,4 mil mensais que a Asics investe em Emerson Iser Bem estão pagos por muitos e muitos anos depois de uma só prova.

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