Luiz Claudio Oliveira

Domingo literário
O sol iluminava tudo, dando ao céu da tarde de domingo aquele tom de azul que só o planalto pode ter. O CD player enfiava seus feixes de laser na deliciosa música de Victor Assis Brasil interpretando as belas canções do mestre Tom Jobim. Tudo emoldurando o texto sagrado de Decio de Almeida Prado que, no livro ‘‘Seres, coisas, lugares - Do teatro ao futebol’’ (Cia das Letras), ele, que é homem da crítica teatral, nos dá a honra de escrever sobre futebol. Lia animado e invejoso sua descrição das habilidades do centroavante Leônidas - que cedeu o nome de Diamente Negro ao famoso chocolate e também recebeu o apelido de ‘‘homem borracha’’, não bastasse ter sido o inventor, ou pelo menos quem popularizou a jogada da bicicleta. Tudo isso me inspirou a ‘‘viajar’’ até o Boqueirão para ver o clássico entre Paraná Clube e Coritiba. Tinha a esperança de encontrar ali um futebol tão vistoso quanto o da literatura. Triste engano.
Nem torcida
Ao chegar ao estádio, mesmo antes de rolar a bola, veio a primeira decepção. A torcida não compareceu. A do Coritiba encheu seus poucos lugares e a do Paraná, mais uma vez, fez fiasco e ficou em casa.
Nem craques
Para quem saiu de casa ainda inebriado pelas palavras de Decio sobre Leônidas, ver em ação os jogadores de Paraná e Coritiba foi quase desesperante. Era difícil entender como o ataque do Coritiba perdia um gol atrás do outro. Assim como ficou chato ver o meio-de-campo e o inexistente ataque do Paraná depois da expulsão de Caio Junior, o único jogador que pensava entre todos os 22 que se movimentavam sobre o abençoado sol. Talvez os jogadores, também preferissem estar ouvindo uma música, lendo um bom livro. Será?
Gol
O retrato do clássico foi o gol do atacante Rafael, do Paraná. Completamente sem querer. Subiu com o zagueiro quase fora da grande área apenas para tentar cabecear a bola mais para perto do gol. Ela subiu meio de rosca e foi caindo, caindo, bem no ângulo, sem possibilidade de defesa para o goleiro. O jogo todo foi assim. As coisas aconteciam como se os jogadores não tivessem nada com aquilo. Estavam ali apenas por acaso, sem que os pés ou as cabeças pudessem influenciar as travessuras da bola que insistia em bater-lhes nas canelas e não correr o caminho devido em passes de menos de cinco metros. A bola, ontem, foi muito insurgente. Não aceitou ser dominada por ninguém.
Londrina
Classificado, o Londrina já garantiu a participação na segunda divisão do ano que vem. Mas pode e deve sonhar em subir para a primeira divisão.

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