Luiz Claudio Oliveira
O que é melhor: ter fundos e não ter craques ou ter craques e não ter fundos?
A pergunta é formulada pelo surgimento de várias notícias de que clubes de futebol - o Boca Juniors, da Argentina, já está fazendo e o São Paulo pode vir a fazer - estariam se associando a bancos e corretoras para, através de vendas de cotas a torcedores-investidores, criar um fundo especial. Os sócios utilizariam este fundo para a compra e venda de jogadores do próprio clube, com possibilidade de lucro ou prejuízo, dependendo de como o dinheiro seria administrado.
É fácil de entender. Suponha que você torça pelo Santos e lá estaria começando um jogador chamado Pelé. O Fundão vai lá, com dinheiro dos torcedores, e compra o passe do Pelé. Digamos que tenha investido R$ 1 milhão nesta transação. Depois, se o Pelé for mesmo bom, será valorizado e o Fundão coloca-o no mercado por um preço, por exemplo, de R$ 10 milhões. O lucro é repartido entre os cotistas.
Trata-se de uma excelente idéia para resolver problemas financeiros do clube, que terá dinheiro à disposição independente do sucesso ou não dos jogadores, já que o risco fica todo para os investidores. O Boca Juniors, por exemplo pretende arrecadar R$ 20 milhões na primeira fase de seu Fundão vendendo cotas ao preço mínimo de R$ 100,00.
Por outro lado, como o negócio ficou puramente econômico, o jogador será vendido justamente no momento em que estará entrando na sua melhor fase técnica. Quer dizer, o Santos ficaria sem Pelé, que poderia ser vendido para qualquer clube do mundo, até mesmo para o Corinthians. O Santos estaria rico, sem dívidas, mas também sem Durval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
Então, é melhor ter fundos e não ter jogador, ou vice-versa?
Enquanto isso, nos Estados Unidos o mais profissional e organizado torneio mundial envolvendo um esporte coletivo, a NBA, o Chicago Bulls anuncia que o melhor jogador de basquete do mundo, Michael Jordan, renovou contrato por mais uma temporada, ganhando a irrelevante quantia de US$ 36 milhões por ano. Um dólar para cada batida do coração.
Domingo triste





