O Rio e o Atlético
O Rio de Janeiro é um dos lugares mais lindos do mundo. Seu povo é um dos mais simpáticos e calorosos. As festividades e a musicalidade cariocas são um símbolo nacional. Analisando a repercussão da injustiça feita ao Atlético Paranaense pelo STJD, chega-se também à acaciana conclusão que o Rio de Janeiro é o centro de informações do país. As informações sobre a aberração jurídica cometida pelo STJD - que sequer julgou o Corinthians ao mesmo tempo em que suspendia o Atlético - sairam para o país com uma versão carioca.
A versão
A versão carioca é a seguinte: o STJD puniu cartolas e o Atlético em nome da moralidade e graças a essa punição o Fluminense reconquistou seu lugar na Primeira Divisão. Sem nenhum questionamento sobre a legalidade e a moralidade das decisões. Mesmo entre os colunistas e comentaristas, poucos foram os cariocas que se manifestaram contra o pseudo-julgamento promovido pela CBF.
Os paulistas
Até as agências noticiosas paulistas, que enviam farto material para os jornais, mandavam sempre a versão enviesada feita pelo correspondente carioca. Quanto aos paulistas, é claro que eles estariam dando bem mais atenção ao caso, se o Corinthians recebesse a mesma pena do Atlético.
Pixinguinha e Eurico Miranda
O Rio, terra de Pixinguinha, Tom Jobim e Machado de Assis, é maravilhoso e continua lindo. O tricolor carioca, clube que abriga entre seus ilustres torcedores ninguém menos que Chico Buarque, Nelson Rodrigues, Arthur Moreira Lima e o grande meia-esquerda Gerson, continua sendo um dos mais tradicionais do país. Este é o lado bom, que convive diariamente com o lado ruim dos maus governantes, do crime organizado, do Caixa D’Água, do Eurico Miranda, Ricardo Teixeira e do STJD. O problema é que de vez em quando, como em qualquer lugar do mundo, os dois lados se misturam.
Erros atleticanos
Os dirigentes do Atlético erraram muito em todo o processo. Primeiro, por aceitarem a chantagem da CBF, procurando alguma vantagem pessoal ou para o clube. Foi aí que meteram o Atlético nesta enrascada. A culpa é deles. Continuaram errando quando, acusados, não mobilizaram a opinião pública nacional para tirar o Atlético desta enrascada. Não souberam unir forças no esporte, na política e na mídia, para combater a centralização de informações dos cariocas. Mas o Clube Atlético Paranaense é maior e melhor que seus eventuais dirigentes. Estes, se tiverem um pingo de vergonha na cara, devem lutar pelo clube na Justiça Comum até as últimas consequências. Será a única forma de pedir desculpas por tudo de ruim que fizeram.

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