Luiz Claudio Oliveira
O jogo sujo da CBF
CBF 11 x Justiça 0. Esse foi o placar do jogo sujo realizado na calada da noite de quinta-feira em um endereço suspeito no Rio de Janeiro. Pela primeira vez em toda a sua história, o STJD - sigla que reúne as palavras superior, tribunal, justiça e desportiva, mas que na prática ficaram sem sentido - julga um caso em menos de 40 dias e suspende um clube de futebol de todas as suas atividades. Não é a primeira vez que comete injustiça contra clubes paranaenses, como lembram os torcedores coritibanos.O que se viu não foi um julgamento, foi uma execução. Parecida com a que alguns policiais fizeram com o estudante Rafael Zanela em Curitiba. Ou com uma blitz da PM de Diadema. Lá na sede da CBF não houve Justiça. O Atlético foi punido pelo suposto crime envolvendo árbitros que sequer foram julgados.
Primeiro: não se pode misturar a ação de eventuais dirigentes com o próprio clube de futebol. Segundo: não se pode considerar sério um julgamento que entre tantos escolhe apenas um para receber a punição. Terceiro: um julgamento sério sobre corrupção no futebol não poderia deixar de apreciar os atos de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, nem os dos presidentes de federações.
O que se viu foi uma armação para tentar levar o Fluminense de volta à primeira divisão. Não se pode punir desta maneira um clube pelos atos de seus dirigentes. Na França, o presidente do Olimpique de Marselha, Bernard Tapie, foi julgado e preso por corrupção comprovada com a compra de juízes e jogadores adversários. O Olimpique foi para a segunda divisão, mas não deixou de jogar. No STJD, as provas foram dispensadas.
Juridicamente, qual a diferença entre Corinthians e Atlético? E os outros citados, como Palmeiras, Flamengo, Atlético Mineiro e Cruzeiro? Nem mesmo na punição aos dirigentes houve equidade. Enquanto isso, na França, Ricardo Teixeira passeia com Edgar Heargreaves, vice do Fluminense.
Estamos num período de luto do futebol paranaense. Qualquer dirigente sensato dos clubes do Paraná deve saber que a punição ao Atlético atinge todo o Estado. Por isso mesmo lanço aqui uma idéia passada por Nireu Teixeira, grande coxa-branca que me liga de seu quarto de hospital, recuperando-se bem de uma intervenção cirúrgica. A proposta dele é que, em solidariedade ao Atlético, todos os clubes que participaram do octogonal decisivo do campeonato paranaense, mais alguns convidados como, por exemplo, o Londrina, realizem no ano que vem um torneio alternativo, sem a influência da Federação Paranaense ou da CBF, escolhendo seus próprios árbitros. Mostraríamos como se faz um campeonato bem organizado, garante Nireu. Está lançada a idéia que pode salvar o futebol paranaense e servir de exemplo para o Brasil.





