Luiz Claudio Oliveira
Futebol pipoqueiro
A derrota do Paraná Clube para o Grêmio na final da Copa Sul Brasileira e a desclassificação do Atlético, nos pênaltis, contra o Botafogo, na Copa do Brasil, mostram como os times do Paraná pipocam nas finais de campeonatos brasileiros. Tanto Atlético quanto Paraná tinham futebol suficiente para vencer seus adversários, mas, como já está ficando constumeiro, tremeram na final. E essa é uma história que se repete há muito tempo.
O mais importante título do futebol paranaense foi conquistado pelo Coritiba, no distante ano de 1985, portanto, há quase 15 anos. O mais recente foi conquistado pelo Atlético, que foi campeão da segunda divisão brasileira, em 1995. Mas a tremedeira é mais constante que o sucesso.
Em 1983, o Atlético foi o terceiro colocado no Brasileirão, mas poderia ter ido à final se não tivesse tremido frente ao Flamengo. Precisava vencer por 3 a 0 e acabou vencendo por 2 a 0 em Curitiba e estranhamente não atacou no segundo tempo. Em 1996, depois de ter sido campeão da segunda divisão, o Atlético de Oséas e Paulo Rink venceu o Atlético Mineiro por 1 a 0 na Baixada, na decisão das quartas-de-final do Brasileiro e foi desclassificado, pois teria que vencer por dois gols de diferença.
Depois que foi campeão brasileiro na disputa de pênaltis contra o Bangu, o Coritiba desmontou o time e quase foi rebaixado no ano seguinte. No ano passado, depois de fazer uma boa campanha no Brasileirão, chegou aos playoffs, mas tremeu frente à Portuguesa perdendo a primeira, em São Paulo, por 2 a 0 e empatando a segunda em 2 a 2, depois de estar vencendo por 2 a 0.
Também no ano passado, o Londrina teve a grande chance de subir à primeira divisão, mas pipocou em Brasília jogando uma péssima partida e sendo goleado e desclassificado pelo Gama na fase semifinal.
Esse fato verificado no futebol poderia, este ano, ser repassado também ao vôlei e ao basquete com Rexona, Paraná Basquete e Grêmio Londrina/Aguativa perdendo suas partidas decisivas.
Em todas essas partidas decisivas, é sempre a mesma história. O time paranaense que vinha bem, acanha-se e não repete as boas atuações. Na linguagem popular, o time paranaense sempre pipoca nas partidas decisivas.
Apesar disso, é inegável que o futebol paranaense vem crescendo em participação no futebol brasileiro nos últimos anos. Só o fato de estar se aproximando das decisões já mostra que o futebol paranaense está dando um passo à frente. E o costume às decisões pode trazer ao esporte do Estado a experiência necessária para não tremer e conquistar títulos. Afinal, a estrutura dos times daqui, principalmente os de Curitiba, melhorou muito nos últimos anos.
Com uma melhor administração, que permita o bom aproveitamento de jogadores jovens, chegar com sucesso às decisões é questão apenas de tempo. E a melhor maneira de acostumar os jovens jogadores às decisões é fazer o campeonato de juniores como preliminar das partidas principais. Assim, os jogadores já iriam acostumando-se com a torcida, com as cobranças e com a pressão. Há quantos anos não temos partidas de juniores nas preliminares? Retornar a essa prática é um primeiro passo para dar mais experiência aos iniciantes.





