Luís Fabiano ainda sonha com seleção brasileira
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segunda-feira, 02 de agosto de 2010
Wilson Baldini Jr.<br>Agência Estado 
São Paulo - A eliminação da seleção brasileira nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul não diminuiu as aspirações do atacante Luís Fabiano. O jogador, que completa 30 anos em novembro, já voltou aos treinamentos com a equipe do Sevilla. A pauta está repleta de compromissos importantes: as finais da Supercopa da Espanha contra o Barcelona, os jogos eliminatórios da primeira fase da Copa dos Campeões, a disputa desigual contra os milionários Real Madrid e Barça no Campeonato Espanhol.
Preterido de Mano Menezes na lista da seleção para o amistoso contra os Estados Unidos, dia 10, em New Jersey, o ''Fabuloso'' ainda sonha em voltar a vestir a camisa verde e amarela. Em entrevista à Agência Estado, o artilheiro da era Dunga na seleção, com 22 gols em 31 jogos, falou que planeja brigar por uma vaga com André e Tardelli, ''dois grandes jogadores, que estão fazendo gols'' e disputar a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
Agência Estado - O Sevilla já voltou aos treinos?
Luís Fabiano - Já. Eu tive 20 dias de férias, menos um pouco do que o normal, por causa da Copa, e já estamos em treinamento forte, pois temos quatro jogos muito importantes para o clube em agosto. Dois pela final da Supercopa da Espanha contra o Barcelona e dois pela fase eliminatória da Copa dos Campeões da Europa.
Agência Estado - Quais as chances do Sevilla no Campeonato Espanhol? Na temporada passada, a equipe ficou em quarto lugar, com 63 pontos, contra 96 do Real e 99 do Barcelona. A diferença vai continuar sendo absurda?
Luís Fabiano - Acho que não. Real e Barça não vão ter tanta facilidade quanto o ano passado. Estou no Sevilla há cinco temporadas - 197 jogos e 93 gols -e uma base forte está sendo mantida. A diretoria já contratou três reforços e outros jogadores importantes vão chegar para deixar o elenco ainda mais forte. Tenho certeza de que a briga vai ser mais acirrada desta vez.
Agência Estado - Seu contrato com o Sevilla vai até junho do ano que vem. Quais são seus planos?
Luís Fabiano - Tive várias propostas antes da Copa (o Milan chegou a oferecer 15 milhões), mas é preciso ter calma para saber o momento certo para que o negócio seja bom para as três partes. Tenho uma identificação muito forte com o Sevilla. Sou muito bem tratado e respeitado pelos dirigentes e torcedores. Fica difícil sair para qualquer time.
Agência Estado - A possibilidade de uma volta para o Brasil está descartada?
Luís Fabiano - Não. Tenho vontade de voltar ao Brasil. O São Paulo sempre será minha primeira opção - atuou 160 jogos e marcou 118 gols (0,74 gol por jogo) -, mas tenho admiração por muitos clubes. Vai depender das propostas que possam surgir.
Agência Estado - E qual seu balanço da participação da seleção brasileira na Copa do Mundo da África do Sul?
Luís Fabiano - Achei positiva. Não é fácil chegar às quartas de final de uma copa. O problema é que no Brasil as pessoas pensam sempre no título. Nada mais importante do que o primeiro lugar.
Agência Estado - O que você acha das críticas que estão sendo feitas ao trabalho do Dunga?
Luís Fabiano - Acho injustas. O Dunga fez um grande trabalho. Obteve vitórias que há muito tempo a seleção não conquistava - 4 a 0 sobre o Uruguai, em Montevidéu, e 3 a 1 diante da Argentina, em Rosário. Quando não se ganha, nada fica com valor.
Agência Estado - Contra a Holanda, você foi substituído. O que sentiu naquele momento?
Luís Fabiano - Aceitei normalmente. O Dunga tinha uma visão melhor do lado de fora e fez o que achou mais certo para a seleção - Nilmar entrou na equipe.
Agência Estado - O que achou da primeira convocação do Mano Menezes?
Luís Fabiano - Normal. Cada treinador tem as suas preferências. É lógico que teríamos mudanças e eles ocorreram.
Agência Estado - O que achou da convocação do André e do Tardelli?
Luís Fabiano - São grandes jogadores, que estão fazendo gols.
Agência Estado - O Mano disse que um jogador que esteve na Copa não aceitou a convocação. Foi você?
Luís Fabiano - Não (risos).
Agência Estado - Em 8 de novembro você completa 30 anos. Ainda pensa em voltar à seleção?
Luís Fabiano - Com certeza. Tenho de me manter em evidência. Nunca tive lesões graves, não tenho problema com o peso e se conseguir jogando em bom nível não vejo problema em continuar brigando por uma vaga. Se daqui a três anos estiver bem física e tecnicamente, acho que posso voltar a servir a seleção.


