Lúcio pode bater recorde
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quinta-feira, 29 de junho de 2006
Guilherme van der Laars<br> Agência O Globo 
Bergisch Gladbach - Nem o próprio Lúcio acreditava. Antes de a Copa começar, ele jamais imaginou que estaria apenas a 23 minutos de bater o recorde do paraguaio Gamarra, que não cometeu uma falta sequer na Copa do Mundo de 1998, na França. O camisa 3 brasileiro também passou ileso até agora. Porém, apesar de estar perto de uma façanha, ainda mais por ser um zagueiro viril, ele acha que não conseguirá manter a invencibilidade particular. Ainda mais contra a França, uma seleção com craques, como Zidane e Henry.
''Acho difícil, ainda mais contra a França, um adversário que controla bem a bola e tem um ataque muito rápido. Será um jogo decisivo e temos que usar todas as armas possíveis. Numa dessas, pode sair uma falta'', afirmou o zagueiro, que acrescentou: ''Até o segundo, terceiro jogo nem me dava conta disso. Foi a primeira vez que fiquei tanto tempo sem fazer falta.''
Em seguida, o zagueiro fez uma ressalva: ''Esta não é minha prioridade. É uma marca legal, mas não vai interferir no meu estilo de jogo. Se não fizer falta, ótimo. Mas se precisar vou fazer'', disse.
Apesar de não ter feito uma falta sequer neste Mundial, Lúcio afirma que não quer mudar sua forma de ser visto em campo: ''Não quero nem perder a imagem de jogar de forma dura e viril, mas sempre na bola. Zagueiro tem sempre que atuar mais forte.''
Há seis temporadas no futebol alemão, Lúcio afirma que evoluiu muito desde a conquista do pentacampeonato, há quatro anos, na Copa do Mundo do Japão e da Coréia. ''Ganhei mais experiência, disputei grandes campeonatos, enfrentei grandes equipes. Isso traz benefícios e ajudou'' analisou.
Um dos destaques do Brasil neste Mundial, Lúcio só agora começa a conquistar a confiança da torcida brasileira. Ele acha que agora tem mais tranquilidade para desempenhar seu futebol: ''Em 2002 foi mais difícil, era minha primeira Copa, a pressão e as cobranças eram grandes. Isso influenciou.''
Segundo o jogador, o entrosamento com Juan e os treinamentos têm ajudado seu de desempenho na Copa do Mundo. ''A gente tem trabalhado bastante para isso. Tenho conseguido antecipar as jogadas, e isso é muito bom'', analisou o zagueiro do Bayern de Munique.
Nas quatro partidas disputas até agora, a seleção brasileira sofreu apenas um gol, na vitória por 4 a 1 sobre o Japão. Nos outros jogos, venceu a Croácia (1 a 0), a Austrália (2 a 0) e Gana, nas oitavas-de-final (3 a 0). ''Agora, nos jogos decisivos, temos que manter a mesma postura e segurança'', continuou.
Lúcio conta ainda que o episódio na seleção olímpica do Brasil, em que deu uma cabeçada em Roger (do Corinthians), num jogo da Olimpíada de Sydney, em 2000, foi importante para o seu amadurecimento: ''Não foi uma experiência legal, mas aprendi muito com o que aconteceu. Aprendi a ter mais tranquilidade em campo e a não cometer mais esse tipo de erro.''
Sobre o jogo de amanhã contra a França, Lúcio pediu atenção especial com o craque Zinedine Zidane, mesmo com ele estando em final de carreira. ''Ele continua sendo um grande jogador, como podemos ver na última partida. Ainda consegue jogar muito bem'', afirmou o zagueiro, que não quis falar sobre a possível aposentadoria do camisa 10 da França. ''Isso é uma decisão muito particular'', concluiu o zagueiro da seleção brasileira.


