Luciano Burti troca a Jaguar pela Prost
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quinta-feira, 19 de abril de 2001
Agência EstadoDe São Paulo 
A mudança era conveniente para todos. Então por que não promovê-la? A notícia surpreendeu a Fórmula 1: Luciano Burti deixou a equipe Jaguar para correr já a partir da próxima etapa do Campeonato Mundial de Fórmula 1, dia 29 na Espanha, em Barcelona, pela Prost Grand Prix. Sua vaga na Jaguar será ocupada pelo espanhol Pedro de la Rosa, que já tinha contrato para ser titular em 2002. Sinto-me mais relaxado, meu futuro depende agora muito mais do meu trabalho do que de fatores políticos, disse o piloto paulista.
Niki Lauda queria tanto que o espanhol Pedro de la Rosa corresse pela Jaguar que conseguiu. Mas não porque o compromisso de Burti com o time da Ford terminou, mas em razão de Alain Prost ter entrado em contato com o piloto e sugerido a transferência. O argentino Gaston Mazzacane tinha claúsulas de desempenho no seu contrato com a Prost, sempre comparado ao do outro piloto, o francês Jean Alesi. Como Mazzacane não correspondeu neste período, Prost e seu sócio, o também brasileiro Pedro Paulo Diniz, encontraram respaldo jurídico para dispensá-lo. Ele era muito lento e não contribuía para a evolução da equipe.
Ontem, no circuito de Silverstone, Burti deveria ter já testado o modelo AP04 da Prost, equipado com motor Ferrari. Os jornalistas que cobriam o dia de atividades na pista inglesa cercaram o brasileiro. Não tenho nenhuma mágoa do pessoal da Jaguar. Eles me deram a chance de entrar na Fórmula 1, disse. Mas quando uma semana antes da temporada começar fiquei sabendo que haviam contratado o Pedro de la Rosa, sem que eu tivesse disputado uma única corrida, compreendi que a definição dos pilotos da Jaguar não seria técnica, mas política.
Semana passada Lauda anunciou, oficialmente, o que já se sabia desde o princípio: Pedro de la Rosa e Eddie Irvine formarão a dupla da Jaguar em 2002. Burti participou das quatro primeiras provas da temporada sabendo já que, independente de realizar ou não um bom trabalho, não estava nos planos da Jaguar. Eu agora posso concentrar minha atenção no carro e não no que está fora dele. O piloto fez questão de dizer, ontem, em Silverstone, que se não fosse a boa vontade dos dirigentes da Jaguar, que facilitaram a transação, o negócio não sairia.
Tudo começou com uma ligação de Alain Prost a Rick Gorne, o empresário de Burti na Europa. Semana passada Prost disse ao piloto que conversaria com Bobby Rahal, diretor da Jaguar, em Ímola, a fim de ver a viabilidade da transferência. Os últimos detalhes foram decididos apenas ontem de manhã, explicou Burti. A chuva atrapalhou o seu primeiro treino com o carro da Prost, ontem mesmo. Dei só meia volta com pista seca. No fim do dia, quando o asfalto secou, uma bandeira vermelha encerrou o treino na hora que deixava os boxes. Agora, o piloto correrá em Barcelona sem sequer ter completado uma volta em elevada velocidade com o AP04. Não será fácil, mas estou pensando no futuro e essa mudança me ajudará muito.


