O volante Lucas Marques, um dos principais nomes do Londrina desde o ano passado, foi direto ao falar sobre o momento delicado vivido pela equipe, que ocupa a zona de rebaixamento da Série B com oito pontos, em 18º lugar. No domingo (31), o Tubarão enfrenta o Vila Nova às 11h, no estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), em busca da primeira vitória em casa na competição.

Em coletiva, o jogador cobrou responsabilidade interna, revisitou decisões da diretoria na transição da Série C para a Série B e afirmou que o clube precisará repetir o movimento de reforçar o elenco, tal como fez na campanha do acesso.

Lucas relembrou a chegada de jogadores que elevaram o nível competitivo em 2025, citando nominalmente o meia Cristiano e o atacante Quirino, peças decisivas no quadrangular que garantiu o retorno à Série B, mas que não tiveram seus contratos renovados.

“Se você parar para ver, os dois elencos que estão na parte de cima da Série B são o São Bernardo e o Náutico, equipes que preservaram boa parte da base da Série C. Então, não dá para achar que está tudo errado. Temos que nos manter fortes mentalmente, porque uma ou duas vitórias já nos tiram dessa zona. E precisamos sair disso o quanto antes”, afirmou o camisa 8.

A franqueza do volante ficou ainda mais evidente ao comentar a oscilação coletiva e o impacto emocional da má fase. “Essa fase me tira o sono e me preocupa. Tentamos fazer algumas coisas e elas não saem. Requer muita resiliência. Tem jogador que acha que, porque não está rendendo aqui, vai aparecer algo melhor em outro lugar. O futebol não é assim”, disse, referindo-se ao comportamento de parte dos atletas mais jovens do elenco. Ele ressaltou o papel de orientação do técnico Rogério Micale e alertou para ilusões comuns no início da carreira.

“O Micale vem batendo nessa tecla. Não tem como achar que a oportunidade vai surgir em outro clube. Se você está no Londrina e não consegue se firmar aqui, não pode pensar que vai sair e jogar no Flamengo. Muitos jovens acreditam nisso, mas não é assim que as coisas acontecem. Só vai acontecer se der resultado. Sem resultado, as portas se fecham. Aquela pessoa que te elogiava não vai elogiar mais. Estamos pontuando isso, e tem jogador que escuta e jogador que não escuta. Tem gente que deixa as coisas simplesmente passarem.”

Lucas também utilizou a própria trajetória como exemplo. “Eu, mais novo, achava que as coisas aconteceriam naturalmente. Entendi que não era assim quando as portas se fecharam. Precisamos assumir nossa responsabilidade. O que estamos fazendo não é suficiente. Alguns falam mais, outros têm outra postura, cada um com seu perfil, mas precisamos crescer coletivamente. E isso tem que aparecer nos jogos”, declarou o volante, que retorna ao time após cumprir suspensão contra o Fortaleza, consequência da expulsão na partida diante da Ponte Preta.

A irregularidade apresentada pelo elenco voltou a ser tema. “Esse mesmo plantel fez grandes jogos no ano. Por que não mantém? Porque, quando faz um bom jogo, acha que está tudo resolvido. Aí, no seguinte, diminui. E na Série B não pode ser assim. Precisamos de regularidade. Vencemos a Ponte e fomos apáticos contra o Fortaleza”, avaliou.

“Pós-jogo, todos conversamos no vestiário. Alguns falam, outros não conseguem se expressar tão bem, mas isso não muda o essencial, que temos que assumir a responsabilidade e dividi-la entre todos. Não é porque alguém não está jogando que deixa de ter parcela de culpa. Somos um grupo, e cada um tem o seu percentual”, afirmou Lucas Marques.

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"Antes tínhamos dúvidas"

Questionado sobre as diferenças implementadas por Rogério Micale desde sua chegada ao Londrina, Lucas não hesitou ao comentar o novo modelo de jogo e a transição após a saída do ex-técnico Allan Aal. Segundo o volante, a equipe "tinha dúvidas" e já fazia um "jogo intuitivo" com o treinador anterior.

“Mudou muita coisa em termos de treinamento. A maneira como o Micale gosta de jogar se assemelha ao estilo do Roger (técnico do acesso em 2025, que saiu para o Sport e hoje está no América-MG), de querer a bola, querer propor o jogo, e não apenas esperar e jogar só em transição. Claro que isso demanda tempo para ser assimilado. Quando o Roger estava aqui, alguns já haviam trabalhado com ele. Agora, para a maioria, é uma forma nova de jogar e de trabalhar. E ainda fica um pouco do resquício do nosso antigo treinador, o que é normal”, explicou.

Lucas lembrou o contraste entre os primeiros jogos sob o novo comando, que foram a goleada por 4 a 1 sobre a Ponte Preta e a derrota por 3 a 0 para o Fortaleza, ambos marcados por comportamentos defensivos distintos. “É claro que, contra a Ponte, a vitória diminui os erros, mas nós oferecemos mais chances ao adversário naquele jogo do que contra o Fortaleza. Vai levar um tempo para todos entenderem completamente, mas os treinos têm sido muito positivos. A rapaziada está absorvendo bem.”

O volante destacou que, nos jogos, ainda há momentos de indecisão que precisam ser corrigidos. “Contra o Fortaleza apareceram erros e tomadas de decisão ruins na hora de marcar. Tivemos dúvidas na pressão, na saída de bola, situações que não ocorreram tanto contra a Ponte. Mas isso vai diminuir. Não vamos ter mais tanta dúvida na hora de subir a marcação ou de esperar. Antes tínhamos muitas dúvidas, e eram visíveis. Vocês acompanhavam e viam que tínhamos dúvidas no momento certo de saltar ou de ficar. Era um jogo muito intuitivo.”

Segundo Lucas, o ambiente atual é de evolução técnica e tática, ainda que o processo exija paciência. “Vamos ter uma evolução muito grande, como já estamos tendo. E esperamos que essa evolução venha acompanhada dos resultados”, completou o meio-campista.

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