Lucas Magalhães critica 'discurso vazio' sobre momento do LEC
Executivo defende projeto da SAF e diz que ideia é valorizar o clube mirando os próximos anos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de agosto de 2026
Executivo defende projeto da SAF e diz que ideia é valorizar o clube mirando os próximos anos

O Londrina vive um período de transformação desde que teve sua SAF adquirida pela Squadra Sports, em dezembro de 2023. A empresa assumiu oficialmente a gestão do futebol em junho de 2024, dentro de um contrato de R$ 100 milhões ao longo de seis anos, com a proposta de valorizar o clube por meio de investimentos em estrutura, patrimônio e desenvolvimento esportivo.
No dia a dia da SAF, o principal porta-voz do projeto tem sido o executivo de futebol Lucas Magalhães. O cargo de CEO está vago desde a saída de Armando Chekerdemian, enquanto o proprietário da Squadra, Guilherme Bellintani, e o diretor esportivo Dado Cavalcanti têm aparecido com pouca frequência em Londrina.
Nos primeiros meses da gestão, os resultados esportivos reforçaram a confiança no projeto. O clube conquistou o acesso à Série B em 2025, voltou à Copa do Brasil em 2026, já garantiu presença na edição de 2027 do torneio e chegou à final do Campeonato Paranaense deste ano, quando foi derrotado pelo Operário.
Entretanto, a campanha na Série B mudou o cenário. Com o time na zona de rebaixamento e após as saídas de jogadores importantes, como Iago Teles e Bruno Santos, aumentaram as críticas de parte da torcida ao planejamento da SAF. Um dos questionamentos mais frequentes diz respeito à interpretação de que o projeto previa o acesso à Série A em três anos.
Lucas Magalhães afirmou que essa leitura não corresponde ao planejamento apresentado pela Squadra. Segundo ele, o prazo de três anos dizia respeito ao modelo financeiro do negócio, e não a uma meta esportiva. "Quando se falava que queria subir em três anos, não era isso. O modelo de negócio aceitava um prejuízo de até R$ 7 milhões por ano durante três temporadas. Se isso não acontecesse, eu não sei o que o investidor faria, se colocaria mais dinheiro, buscaria outro investidor ou mudaria o projeto. O plano era esse."
O executivo explicou que a ideia da SAF é tornar o futebol financeiramente sustentável na Série B, conceito que Bellintani costuma definir como break-even, quando as receitas passam a cobrir as despesas da operação. "Hoje o clube consegue gerar uma receita próxima de R$ 25 milhões. Quando você vende um atleta por R$ 10 milhões, essa receita passa para R$ 35 milhões. Se conquista o acesso, ela aumenta ainda mais. É assim que se valoriza um clube: construindo um CT, melhorando o estádio, formando patrimônio e valorizando atletas. Não existe isso de vender um jogador e colocar o dinheiro no bolso."
Lucas também rebateu as críticas direcionadas ao modelo de gestão e disse que parte dos questionamentos ignora a realidade financeira do futebol. "Está tudo documentado, não tem mágica. E nem esse discurso vazio de rede social que muitos torcedores acabam reproduzindo. Eu entendo a paixão do torcedor, mas estou aqui para explicar que não é, repito, uma ilha de burro num oceano de inteligentes."
CT segue em andamento
Outro tema abordado pelo dirigente foi a construção do centro de treinamentos próprio do Londrina. O projeto foi apresentado oficialmente em agosto de 2025 e integra as obrigações assumidas pela SAF, que tem prazo contratual até 2029 para entregá-lo. A expectativa inicial era disponibilizar ao menos um ou dois campos ainda no primeiro semestre deste ano, o que não aconteceu. A saída de Armando Chekerdemian desacelerou o andamento do projeto.
"Quem estava cuidando diretamente dessa parte era o Armando. Com a saída dele, todo mundo acabou acumulando funções. Acredito que em agosto teremos uma nova estrutura dentro da SAF. Eu não sei exatamente em que fase está o projeto, mas sei que na semana passada saiu uma autorização da Copel para a parte elétrica. Está andando. Não no ritmo que a gente gostaria, infelizmente, mas está andando. Hoje também preciso concentrar muita energia no futebol, porque nossa prioridade é permanecer na Série B."

Mercado continua aberto
Após as saídas de Iago Teles e Bruno Santos, Lucas reconheceu que novas negociações podem acontecer, embora o foco atual seja reforçar o elenco. O executivo contou, inclusive, que chegou a dizer, ainda antes da saída de Bruno Santos, que o atacante só deixaria o clube mediante o pagamento da multa rescisória. Horas depois, o Mirassol exerceu a cláusula.
"Foi uma coincidência absurda. Se eu fosse torcedor, também acharia estranho. Mas aconteceu exatamente assim. Pode acontecer de sair algum jogador, seja pela multa ou por uma proposta que seja boa para o clube. Ao mesmo tempo, estamos buscando atletas que venham para resolver, não apenas para compor o elenco."
Lucas reforçou que a SAF não trabalha com a lógica de vender jogadores apenas para fazer caixa e afirmou que qualquer negociação é analisada dentro do projeto de valorização do clube. "Se aparecer uma proposta muito acima do mercado, claro que será avaliada. Mas não existe esse negócio de que a SAF quer dinheiro. Quer dinheiro para quê? O dinheiro é do clube. O investidor ganha quando o Londrina vale mais. Esse é o negócio: aumentar o valor do clube, e não simplesmente vender jogador."


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.


