Pequim - O técnico Luiz Felipe Scolari deu chance a sete reservas, ao fazer testes na escalação da seleção brasileira, mas não deve ter se empolgado com o que viu ontem, no Estádio Ninho de Pássaro, em Pequim, na China. Lucas e Alexandre Pato foram figuras nulas em campo, enquanto Diego Cavalieri, Lucas Leiva, Maxwell, Ramires e Dedé tiveram pouco trabalho na vitória por 2 a 0 sobre a Zâmbia. O zagueiro do Cruzeiro até deixou a marca dele, fazendo um gol de cabeça. Depois de um primeiro tempo fraco, a equipe só melhorou com as entradas de Oscar, Jô e Hulk.
A vitória contra Zâmbia foi uma das últimas chances para alguns jogadores mostrarem serviço para Felipão. Agora, a seleção brasileira faz apenas mais dois amistosos neste ano, ambos em novembro - em Miami (Estados Unidos) e Toronto (Canadá) -, quando o treinador promete fazer os últimos testes. Ele quer definir o grupo que vai disputar a Copa até o final deste ano. Mesmo porque, o Brasil só terá um compromisso em 2014 antes da convocação para o Mundial: será em março, quando enfrenta a África do Sul.
Na viagem pela Ásia, Felipão escalou força máxima para vencer a Coreia do Sul por 2 a 0, no último sábado, em Seul. Diante da Zâmbia, porém, ele quis testar alguns jogadores e, assim, poder tirar suas dúvidas. Pelo que aconteceu no Estádio Ninho de Pássaro, os atacantes Lucas e Alexandre Pato perderam espaço no grupo. Ambos foram mal no primeiro tempo e acabaram sendo substituídos no intervalo - depois disso, a seleção teve melhor atuação e fez os gols.

O jogo
Pelos primeiros minutos de bola rolando em Pequim, a impressão era de que a seleção conseguiria uma vitória fácil sobre a Zâmbia, país que não conseguiu a classificação para a Copa de 2014 e que ocupa apenas a 71ª colocação no ranking da Fifa. Logo com dois minutos, Neymar sofreu a primeira falta. Ele mesmo cobrou no ângulo, o goleiro Mweene foi com a mão mole e a bola acertou o travessão.
A seleção, porém, sentia falta de duas peças: um armador (os volantes Ramires e Paulinho se revezavam, sem o mesmo talento do meia Oscar) e um atacante pela direita (Lucas, mesmo voluntarioso, agregava pouco).
Diante disso, Neymar jogava praticamente sozinho no ataque brasileiro. Felipão reconheceu a atuação ruim e mudou a linha de frente no intervalo. Saíram Ramires, Lucas e Alexandre Pato para as entradas de Oscar, Hulk e Jô. Quem precisava mostrar serviço, não mostrou.
Com a nova formação, o Brasil voltou a jogar um futebol eficiente. Teve chance em falta de David Luiz e em chute colocado de Daniel Alves, mas Mweene pegou as duas. O goleiro só não teve o que fazer quando Oscar chutou de longe, a bola desviou no marcador e o encobriu. Assim, a seleção abriu o placar aos 13 minutos.
O gol motivou a seleção, que manteve a pressão ofensiva. Oscar acertou a trave aos 14. No minuto seguinte, Paulinho arriscou de longe e assustou Mweene. Mas o segundo gol veio da cabeça de Dedé. Aos 20, após cobrança de falta de Neymar na área, o zagueiro subiu sozinho para marcar pela primeira vez com a camisa do Brasil.
Quando o jogo voltou a esfriar, Bernard entrou com sua "alegria nas pernas", como Felipão definiu o garoto, e passou a infernizar a zaga africana.
A seleção brasileira terminou o amistoso com a vitória por 2 a 0. O saldo, porém, foi negativo para alguns jogadores que foram testados por Felipão, especialmente Lucas e Alexandre Pato.

EM PEQUIM

Brasil 2
Diego Cavalieri; Daniel Alves, Dedé, David Luiz (Henrique) e Maxwell; Lucas Leiva, Paulinho (Hernanes) e Ramires (Oscar); Lucas (Hulk), Neymar (Bernard) e Alexandre Pato (Jô). Técnico: Luiz Felipe Scolari

Zâmbia 0
Mweene; Kabaso (Chisenga), Chama, Himoonde e Mbola; Mtonga, Lungu (Musakanya), Tembo (Chivuta), Mayuka (Chamanga) e Katongo (Musonda); Mulenga (Kola). Técnico: Patrice Beaumelle

Árbitro: Fan Qi (China)
Estádio: Ninho de Pássaro
Gols: Oscar, aos 13, e Dedé, aos 20 minutos do 2º tempo

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