Lucas descarta sentimento de revanche
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de junho de 2013
Agência Estado 
Porto Alegre - Lucas tinha seis anos quando viu pela televisão a França, de Zidane, destruir o Brasil, de Ronaldo, que teve uma convulsão às vésperas daquela partida e não foi o mesmo dentro de campo. Lucas não se lembra muito bem do problema de Ronaldo, mas se recorda que ficou muito triste com a derrota brasileira por 3 a 0. Ele era um daqueles meninos que se juntavam na rua onde morava em São Paulo para pedir dinheiro aos vizinhos a fim de comprar tintas e decorar o asfalto com imagens do brasão da CBF, da bandeira brasileira e da fisionomia de alguns jogadores daquele time do Zagallo. "Esse clima de revanche não existe. Eram outros jogadores em outra época. Mas me lembro muito bem daquele jogo porque fiquei muito triste com a vitória dos franceses." Quinze anos depois, o menino virou jogador e foi jogar no Paris Saint-Germain, o principal time da França.
Lucas é reserva da seleção, mas sabe que seu nome tem sido pedido pelos torcedores, como ocorreu diante da Inglaterra no Maracanã. E ele tem esperança de conseguir um espacinho entre os 11 de Felipão porque acha que muito coisa ainda pode acontecer. Aponta seu amadurecimento tático como principal vantagem para tirar a vaga de Hulk, hoje o escolhido do treinador e com quem teoricamente disputa posição.
"Existe sim uma ansiedade grande para que a Copa das Confederações comece logo, para que a seleção consiga seus resultados e a gente veja o que vai acontecer. Acho que tenho de trabalhar para conseguir meu espaço. Todos os que estão nesse grupo têm condições de jogar, de ser titular. E eu fico feliz quando ouço o torcedor gritar o meu nome, como aconteceu no Maracanã. Até fiquei surpreso com tamanha manifestação
Nesses cinco meses em que atua no futebol francês, Lucas se diz um atacante mais maduro, sobretudo taticamente. Ele conta que Felipão pede o tempo todo aos jogadores de lado de campo para que se posicionem de modo a ajudar na marcação quando o rival ataca e abrir espaços quando estiver com a bola. Lucas reconhece sua predileção em ajudar os atacantes mais do que propriamente se aproximar do gol para ele mesmo marcar. O jogador do PSG sabe da importância de uma vitória brasileira sobre os franceses domingo, mesmo se for cobrado por isso quando retornar a Paris.
"A França é meu segundo país, mas sou brasileiro e tenho a obrigação de ajudar a seleção. Embora o Brasil parece desacreditado, em 22 no ranking da Fifa, todos sabem da nossa condição técnica e força da nossa camisa." Lucas tornou-se opção para o segundo tempo. A seu favor nessa briga por posição, aponta o tempo em que ficou no São Paulo e se destacou no futebol brasileiro. Reconheceu que há na seleção alguns jogadores que não fizeram carreira no País, como o próprio Hulk, e por isso não têm tanta identificação com o torcedor. "Essa falta de sintonia pode atrapalhá-los um pouco." Mas com ele é diferente.


