''Na dúvida acelera que o carro vai para a frente''. A ''dica'' de Norton Lopes, coordenador-técnico da Mitsubishi Cup, durante o briefing (reconhecimento do percurso) na sexta-feira, era um prenúncio das dificuldades que os pilotos das categorias L200 R, L200 RS e TR4 R enfrentariam no dia seguinte na prova do rali de velocidade disputada em Palmeira (40 km ao sul de Ponta Grossa).
O frio e a neblina da manhã de sábado na Fazenda Santa Rita, onde foi preparado o circuito em meio a pastos e muita pedra, aumentou ainda mais a tensão pelo desconhecido no dia anterior, pilotos e navegadores receberam a planilha do percurso e conheceram poucos pontos do circuito por meio de fotos.
Joana Andrade (piloto) e Beto Lopes (navegador), casal de Campinas (SP), que faziam apenas a segunda prova na L200 R a estréia deles foi em Ribeirão Preto (SP), no dia 21 de agosto , previam a dificuldade que teriam pela frente. ''A neblina vai atrapalhar bastante'', dizia Joana, 28 anos, que começou a pilotar influenciada pelo pai, ralizeiro que comanda uma equipe de caminhão.
A espera pela largada da primeira bateria durou longas duas horas. A dupla líder da L200 RS, a principal categoria do Mitsubishi Cup, Guilherme Spinelli, o Guiga, e Marcelo Vivolo, demonstravam bom entrosamento e descontração antes da prova. ''Me perco em São Paulo'', dizia o piloto Guiga, carioca de 31 anos, bicampeão do Rali dos Sertões na Super Prodution. ''Por isso o navegador tem que ter calma e senso de direção'', falava, apoiando o amigo Vivolo, 21, com quem corre desde o ano passado.
Entrosamento, aliás, é um dos principais requisitos para os ralizeiros. Pelo menos é o que afirma Lourival Roldan, ex-piloto e atual navegador de Kléber Kolberg, o principal piloto de rali do Brasil. ''A dupla tem que estar entrosada. O grande segredo é a concentração. Esquecer o que está acontecendo lá fora'', ensinava Roldan, organizador da Motorsports, o rali de regularidade da Mitsubishi.
Às 10h30, quando a neblina baixou e a temperatura subiu um pouco, pilotos e navegadores, enfim, puderam acelerar suas pick-ups em busca do melhor tempo na primeira bateria. Cada dupla largava em intervalos de um minuto.
Ao fim da bateria, o curto intervalo serviu para os mecânicos revisarem os carros e para as duplas, entre longos goles d'água, ver onde ocorreram erros ou acertos durante o trajeto de 23 quilômetros. ''Foi uma quebradeira total. Temos que achar a dose certa para a segunda bateria. Poupamos demais o carro'', dizia o navegador Marcelo Vivolo, revelando que o quinto lugar não agradou a dupla.
Mais tranquilos, Guiga e Vivolo andaram forte na bateria final e terminaram a etapa na segunda colocação. Este resultado garantiu a liderança da Mitsubishi Cup 2004 à dupla carioca.
Quem também mostrava um enorme contentamento era o casal Joana Andrade e Beto Lopes, 40 anos. Na 28 posição ao final das duas baterias, a dupla campineira festejava o bom resultado na segunda prova da curtíssima carreira. ''Superamos as expectativas. Estou muito contente, pois erramos pouco'', dizia o navegador Beto.
Um pouco mais cansada pelo esforço de dirigir entre pastos e caminhos de pedra, mas também alegre pela boa prova, Joana resumiu como foi a competição na Fazenda Santa Rita: ''Uma prova de navegação fácil e de pilotagem difícil''.
Questionado se ocorriam brigas dentro da pick-up, o casal foi taxativo: ''Não, o entrosamento é perfeito, dentro e fora do carro''.
O jornalista viajou ao Mitsubishi Cup a convite da MMC Automotores do Brasil

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