Não há mais harmonia na Seleção Brasileira entre o coordenador-técnico Antonio Lopes e o treinador Emerson Leão. Os maus resultados nas eliminatórias do Mundial de 2002, o estilo centralizador de Leão e algumas divergências na composição da comissão técnica estão deteriorando a relação da dupla.
Isso fica mais evidente se comparadas as entrevistas de Lopes, a partir do dia em que foi convidado pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, para assumir o cargo, após os Jogos Olímpicos de Sydney. Desde então, Lopes sempre se referiu a seleção utilizando-se do pronome ‘‘nós’’ para explicar o futebol ruim, erros e acertos, programação do time, etc.
Ontem, porém, mudou de atitude pela primeira vez. Em rápida conversa com jornalistas na CBF, quis deixar claro o ‘‘poder’’ de Leão no grupo. Por quatro vezes, citou o treinador como o único responsável por convocação, data de viagem ao Japão (para a disputa da Copa das Confederações), escolha dos dias de reunião da comissão técnica e pela marcação do amistoso contra o clube japonês Verdy Tokio, no próximo dia 26.
‘‘A palavra final é do Leão’’, repetiu Lopes. A princípio, a declaração soaria normalmente, não fossem fatos recentes que têm estremecido a relação dos dois. Um deles diz respeito à intenção de Leão em levar para a seleção o preparador físico do Inter-RS, Eduardo Silva, a fim de trabalhar junto com Bebeto de Oliveira, indicação de Lopes.
O que está por trás do comportamento de Lopes é a convicção entre a comissão técnica de que mudanças devem ocorrer se o Brasil não vencer a Copa das Confederações, que começa dia 30 de maio.

mockup