Longe dos pódios
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sábado, 23 de julho de 2016
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
As Olimpíadas trazem à tona uma realidade nada boa para o esporte londrinense. Nenhum atleta que treina no município irá competir nas modernas arenas cariocas. É o reflexo adotado pelas últimas administrações públicas de se investir, prioritariamente, na formação e também resultado da extinção de equipes coletivas, que jogam competições nacionais.
Nas últimas edições das Olimpíadas, Londrina sempre esteve representada por nomes, que inclusive conquistaram medalhas. Casos como de Natália Falavigna, que competiu em 2004 e 2008, quando ganhou o bronze, em Pequim, e Diogo Silva, que treinou em Londrina para os Jogos de Atenas, ambos do taekwondo.
O atletismo já foi representado por José Carlos Moreira, o "Codó", em 2008 e 2012, e Lucimar Teodoro, em Londres. Nos bons tempo do handebol, a equipe londrinense cedeu atletas para a seleção brasileira. Na ginástica rítmica, Londrina sempre foi o celeiro maior para a composição da equipe nacional. Em 2008, o lateral Rafinha conquistou a medalha de bronze no futebol. Sem falar no multicampeão Giba, dono de três medalhas olímpicas.
Para o presidente da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), Vilmar Caus, a cidade sofre com o mesmo problema enfrentado no país todo. A falta de uma política para o desenvolvimento do esporte nas escolas. Segundo ele, os Jogos Escolares atuais só servem para fazer política e não tem qualidade técnica nenhuma. "O trabalho nas escolas era fraco, agora inexiste. O próprio curso de educação física não prioriza o esporte", aponta. "Para fomentar o surgimento de futuros atletas é preciso que o esporte volte a ser atrativo dentro da escola".
O direcionamento do investimento municipal para as equipes menores fez com os times adultos praticamente inexistam na cidade. Neste cenário, os principais destaques precisam deixar Londrina ainda muito jovens e falta espelho para que novas gerações apareçam. "No Pan-Americano do ano passado, seis atletas que nasceram aqui ou passaram pelo nosso trabalho estavam representando o Brasil. Hoje não sonho mais com isso", frisa o coordenador da equipe de atletismo de Londrina, Gilberto Miranda. "Vamos focar em continuar conseguindo grandes resultados na base e se acostumar com a saída dos destaques".
Para Caus, como o município investe em competições como Jogos da Juventude e Abertos, muitas atletas já podem ter se perdido pelo caminho. "Já pegamos eles formados. A base de preparação tem que acontecer na escola", cobra. "Claro que as equipes de ponta são grandes estímulos para atrair público e as crianças", acrescenta.
O técnico da seleção brasileira e presidente da Federação Paranaense de Taekwondo, Fernando Madureira, acredita que o caminho da retomada para a formação de novos campeões na cidade passa por um planejamento melhor de todas as modalidades e mais investimentos para que o esporte atinja um número maior de praticantes. "Este ano já houve um pouco mais de recursos para as equipes adultas e acredito que o nosso próximo ciclo olímpico será bem melhor", projetou. Dois atletas de Madureira ficaram perto da vaga olímpica e serão reservas da seleção brasileira. João Miguel Neto, na categoria até 58 quilos, e Talisca Reis, até 49 quilos, e que hoje compete por Rio Claro.


