Longe de casa, eles se unem e criam Família Maranhão
Quando deixaram para trás suas casas no distante estado do Maranhão, os 24 jogadores sabiam que o sacrifício era grande, mas não pensaram duas vezes. ''Ô cara, não é fácil, não. Já faz uns sete meses que não vou para casa, não vejo a família'', lamentou o atacante Ricardo Maranhão, 19 anos. ''É um sacrifício que vale a pena. É uma dedicação para ter êxito no futuro'', completou.
Sozinhos no Sul, eles se apegaram uns aos outros para compensarem a falta dos amigos e parentes e criaram a ''família Maranhão''. ''Às vezes dá saudade de casa, mas somos todos irmãos aqui e um ajuda o outro'', disse o meia Juninho, também de 19 anos, que conta nos dedos o momento de matar a saudade de casa por um motivo especial. ''Ele não pára de falar da namorada'', zombaram os colegas, deixando-o envergonhado.
A maioria vem de família pobre e o futebol é o único caminho que encontraram para tentar mudar de vida. ''Lá no Maranhão, tinha gente que ia para o treino sem comer nada. Hoje, o que dá dinheiro é futebol e por isso estamos aqui'', revelou Ricardo Maranhão.
Em Rolândia, eles não têm salário, alguns recebem uma ajuda pequena de custo, mas em contrapartida moram bem e recebem assistência médica e alimentação de qualidade. ''Gastamos R$ 25 mil em média por mês só com as categorias de base'', declarou o presidente José Danílson de Oliveira.
No grupo, existem algumas exceções. O atacante Mário Júnior, 20, é um deles. Já profissionalizado, ele conseguiu ganhar um pouco de dinheiro no futebol da Tunísia e agora busca espaço aqui no Paraná. ''Jogo porque gosto, não porque preciso. Vim para Rolândia porque aqui é vitrine e quero ir para um time grande'', comentou.
Os três são titulares do time júnior que se destaca no Campeonato Paranaense Sub-20. Outros dois maranhenses integram a equipe, mas a lista deve aumentar, porque cinco jogadores do time estão sendo negociados com o futebol europeu.
Contente com a parceria, o presidente do NAC já pensa em um grande investimento nas categorias de base e o primeiro passo seria a compra de um Centro de Treinamento, com quatro campos de futebol e alojamento, além de uma sede. ''Queremos nos estruturar para que num futuro próximo o clube se pague'', projetou. (T.M.)





