Eles são considerados ''malucos'' por muitas pessoas e as vezes até por seus próprios familiares. Acordam muito cedo, trabalham, estudam e quase não têm uma vida social. O grupo de amigos geralmente está ligado ao esporte e a disciplina é um atributo que precisa fazer parte de suas rotinas. Esses são os homens e mulheres ''de ferro'' de Londrina - 19 pessoas que já iniciaram os treinos superpesados para o Ironman Brasil 2011 -, prova marcada para maio do ano que vem.
A paixão pela modalidade fez com que as 1.800 inscrições se encerrassem em poucas horas. Na prova, os triatletas vão nadar 3 quilômetros, pedalar 180 e correr outros 42. Para isso, os candidatos à completar uma das provas de triathlon mais pesada que existe, levam um ritmo de treino incomum. O treinador da Duarte Triathlon Team, Diego Duarte, explica que, em média, os alunos concentram cerca de duas a três horas por dia de treino, seis vezes por semana, descansando geralmente nas sextas-feiras, dia que antecede os chamados ''longões'' quando alguns chegam a pedalar, nadar ou correr por mais de cinco horas.
''O triathlon é uma modalidade que exige muita dedicação do atleta. Ele precisa desembolsar um custo relevante com manutenção da 'bike', suplementos, acessórios e acompanhamento médico. Os treinos são intercalados. Diariamente eles treinam duas modalidades: ou correm e nadam ou pedalam e nadam e também tem a musculação que entra aí por pelo menos duas vezes por semana'', diz.
Há cinco anos apaixonado pelo triathlon, o agropecuarista Eduardo Sucupira Duarte, 40 anos, fez uma promessa pra ele mesmo: completaria um Ironman antes de seu 40º aniversário. Como ele não conseguiu se inscrever a tempo para o Iron 2010, foi buscar a realização da meta a milhares de quilômetros participando do Bergen Triahtlon, na Noruega. ''A prova tem exatamente as mesmas distâncias que o Ironman, com a diferença que é muito frio. Nadamos nas águas que estavam a 11 graus e a temperatura média na cidade variava entre 8 a 10 graus. Terminei a prova em 12h30 e um mês depois foi meu aniversário. Hoje sinto que quebrei mesmo aquele 'tabu' de que completar uma prova dessas é impossível'', comenta.
A estudante Larissa Saderi, 17, pode ser a primeira brasileira com 18 anos de idade a terminar uma prova de Ironman. Determinada, a jovem fez a inscrição pela internet escondida dos pais e até transferiu o período das aulas para conseguir ter mais tempo para treinar. ''No início do ano tive algumas alterações nos meus exames e o médico pediu para eu ficar um tempo em repouso. Voltei a treinar em junho e depois que garanti a inscrição, contei para meus pais. Hoje o combinado para que eu participe da prova é de que eu só vou mesmo se meus exames estiverem tudo certo na véspera do evento. Mas a minha expectativa é de conseguir completar a prova e nos anos seguintes pensar em melhorar o tempo'', diz.
Rafael Goebel, 24, acorda 5h40 todo dia para encarar o treino diário de uma hora. O jovem trabalha numa transportadora em período integral mas ainda consegue se organizar para estudar a noite. ''Faço triathlon desde os 15 anos e chega uma hora que você quer disputar provas maiores'', diz. Já a universitária Amanda Duarte, 23, teve várias influências na família que a motivaram participar do Ironman. ''Meu pai é ultramaratonista e meu irmão já completou o Iron duas vezes. Mesmo com todas as dificuldades por ser mulher, como quando ocorre cólicas ou períodos de TPM, não deixo de treinar. É uma realidade que faz parte do triatleta ainda mais pra quem vai participar de um Iron'', diz.

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