Correr 42 quilômetros não é para qualquer um. Correr essa mesma distância num deserto com temperaturas de até 40 graus é um desafio para um grupo ainda mais seleto. Tem que ser no mínimo corajoso. Um grupo de londrinenses resolveu encarar o que muitos consideram loucura e está disposto a enfrentar uma das regiões mais secas do planeta. Os ''malucos'' por corrida embarcam no final do mês para o Chile onde participarão da Maratona do Atacama, em San Pedro de Atacama. O desafio será no dia 29 de janeiro e reunirá cerca de 500 competidores do mundo todo.
A dona de casa Iracema Mangoni Quero Volovickis, 43 anos, já correu seis maratonas, mas considera esse será o maior desafio de sua vida. As dificuldades são maiores por conta do clima seco e da altitude superior a 6 mil metros. ''Estaremos respirando como se fosse por um canudinho'', comenta a maratonista, empolgada para a prova. ''É bom porque é ruim'', brinca.
''Desde que fiz a minha primeira maratona não consegui mais deixar de correr. Ao escolher essa prova, primeiro pensamos na maravilha que vai ser correr num lugar desse, depois vamos ver como serão as dificuldades'', acrescenta.
Não é à toa que Iracema se empolga com aventuras. Ela está sempre acompanhada do marido, o empresário Manolo Volovickis, 44, triatleta e corredor há mais de 20 anos. ''Num de seus treinos, ele já chegou a correr uma maratona (42 km) só na Avenida Ayrton Senna e uma vez subiu e desceu 100 vezes as escadarias do Zerão'', lembra.
O casal estará acompanhado de amigos também apaixonados por corrida, como o contabilista Ismail Pereira Barbosa, 45, que pratica a atividade há 30 anos e nos últimos dois completou seis maratonas. Para ele, a expectativa de correr numa prova tão longa no deserto é das melhores.
''Com certeza haverá muita dificuldade e em algumas trilhas, provavelmente, teremos que caminhar. Vamos correr no desconhecido e, por isso mesmo, esperamos que seja maravilhoso porque devemos passar por lugares onde nem turista consegue ir'', declara.
Um dos treinadores de parte do grupo, Silvio Prado, da Core Inteligência Esportiva, explica que os atletas realizaram um treinamento específico para dar conta dos 42 km no deserto.
Para superar o desafio de percorrer diferentes tipos de solos, os atletas treinaram em inclinações específicas e horários de muito sol. ''Além de equilibrar dieta e rotina de trabalho, a parte fundamental para que nenhum atleta tenha lesão é o condicionamento físico através do treinamento funcional. Esse treinamento tem se realizado em ambientes que possam reproduzir alguns dos desafios da prova. Por esse método, os corredores deselvolvem força, resistência, equilíbrio e coordenação muscular para encarar todos os desafios físicos e mentais durante a corrida'', explica Prado.
Completamente ''viciado'' em corrida e em outros esportes desafiadores, o bancário Tiago Sassi, 28, que já completou um Ironman e duas vezes uma prova de 53 km num frio de zero grau na cidade de Urubici (SC), resolveu que dessa vez quer sentir o suor escorrendo numa prova no deserto. Disposto a completar o desafio no tempo que for necessário, ele não vê a hora de embarcar para o Chile. ''Vai ser muito bom. Quando a gente gosta de correr faz uma prova já pensando em outra. Já até reservei minha viagem para a próxima'', destaca.

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