Verão, sol, calor, feriadão de carnaval. Enquanto muitos viajam para relaxar e se divertir, eles nadam. Apesar de não encarar a natação como algo competitivo, eles também competem de vez em quando e gostam mesmo é de nadar no mar. Sete nadadores de Londrina que treinam na Academia Gustavo Borges embarcam nesta semana para a Praia de Bombinhas, em Santa Catarina, para participar de um grande desafio para quem é apaixonado pela natação: nadarão três travessias em 24 horas. As provas acontecem no próximo fim de semana e concentram um total de 6 mil metros, com um desafio ainda maior, uma das provas será realizada à noite.
As provas fazem parte do Circuito de Travessias de Bombinhas e também do Travessias.com, grupos responsáveis pela organização dos eventos. No sábado pela manhã, eles encaram uma prova de 3 mil metros onde nadarão num trecho em forma de um triângulo dentro do mar até voltar ao mesmo ponto de largada. Poucas horas depois se preparam para a Travessia Noturna, a única realizada à noite no Brasil. Serão 1,5 mil metros em que os atletas precisarão contar com muita sensibilidade corporal e atenção, pois a baixa luminosidade pode dificultar o desempenho. Depois dessa, no domingo pela manhã, ainda participarão de outra prova de 1,5 mil metros.
Veterano em travessias, o professor de educação física Marcelo Aching Velazquez, 36 anos, encara cada evento desse com cautela, pois entende que não tem como saber antecipadamente das condições do mar. ''As travessias noturnas sempre dão um friozinho na coluna a mais que as outras. Mas nunca fiz três travessias no mesmo final de semana, talvez dessa vez será um desafio ainda maior'', comenta o atleta, que carrega um histórico de conquistas em cerca de trinta travessias que já participou.
Longe da área da educação física, o dentista Luis Carlos de Almeida Silva, 42, mantém uma disciplina quase que militar para conseguir conciliar o trabalho com os treinos. São cerca de 3,5 a 4 mil metros, por aula, de natação de quatro a cinco vezes por semana para manter o condicionamento em dia. ''Participo de travessias há quatro anos, fiz umas 30. A mais desafiadora foi talvez a primeira, de 3 mil metros e não tinha ideia de como era nadar no mar. Também teve uma em Caiobá, onde a temperatura estava cinco graus, garoando e a água estava a 13 graus. Foi bem difícil'', lembra.
Mesmo preparado, ele acredita que nadar três travessias em 24 horas ainda será o maior de todos desafios já conquistados. ''O mais importante para vencer os desafios, além dos treinamentos, é a vontade de vencê-los e isso eu tenho bastante'', diz.
Para a prova noturna, os nadadores precisarão de roupa de borracha e óculos de lentes claras. A assistente administrativa Maísa Massi, 25, nadará pela primeira vez à noite e confessa estar bastante ansiosa. ''Estou com um friozinho na barriga, mas por outro lado bem segura pelo ritmo dos treinos. Este e tantos outros obstáculos são superáveis diante da incrível sensação de se fazer o que realmente ama.''

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