Amanhã, dia 31, as ruas de São Paulo serão tomadas novamente por milhares de atletas. Com amadores e profissionais misturados, o Brasil inteiro estará representado naquela que é considerada por dez entre dez corredores a prova mais especial do calendário nacional, a São Silvestre, que chega neste ano a sua 88 edição.
Para 2012, a organização anunciou nova quebra de recorde no número de participantes. Serão pouco mais de 25 mil pessoas se apertando, dividindo cada espaço das ruas do centro da maior cidade do Brasil. Mas o que leva milhares de malucos por corrida deixarem suas casas e famílias em pleno dia 31 de dezembro para suar a camisa num árduo percurso de 15 quilômetros?
Uma das ''celebridades londrinenses'' do circuito de corridas de rua, a maratonista Zilda de Oliveira, de 65 anos, explica. ''A São Silvestre é a festa dos atletas, aonde você se reúne com atletas de elite, atletas amadores de todo o Brasil. Tem gente que viaja dias, a gente fica num aperto, fica em pé por mais de duas horas antes da prova, mas vale a pena. É uma sensação diferente'', relata.
E dona Zilda fala da São Silvestre com ''conhecimento de causa'', pois até ela mesmo já perdeu a conta de quantas vezes participou da maior prova pedestre do Brasil. ''Acho que pelo menos umas 15 vezes'', diz a sempre animada corredora, que percorre todos os dias de 12 a 16 quilômetros em seus treinos.
E essa sensação diferente atrai cada vez mais apaixonados por corrida todos os anos a encarar os 15 quilômetros da São Silvestre. O casal José Eduardo de Almeida e Luciana Libos Almeida, também de Londrina, são bons exemplos. Depois de ensaiarem algumas vezes, eles comemoram a oportunidade de participar pela primeira vez do evento.
''Tem várias coisas que a gente precisa fazer ao longo da vida, e para nós que gostamos de corrida, uma delas é correr a São Silvestre'', afirma a arquiteta Luciana, que corre desde os 15 anos. ''Participar da São Silvestre é algo diferente, uma prova bastante tradicional. Lá, a gente se mistura com os corredores de elite, fica perto do seu ídolo. É como se o menino que sonha ser jogador de futebol tivesse a oportunidade de jogar uma pelada com o Ronaldo, por exemplo'', compara o engenheiro civil e empresário José Eduardo.
Depois de muitos anos, a organização da prova paulistana optou por mudar o horário da largada, que a partir desta edição acontece a partir das 9 horas. A medida visa evitar tumultos para a tradicional festa do Réveillon na Avenida Paulista e também amenizar os efeitos do calor para quem vai participar da prova.
''Vai ser melhor, mais fresco. Às sete da manhã eu já estarei lá na Paulista para a concentração. É a melhor parte'', promete dona Zilda, que ainda deixa um recado para os ''marinheiros de primeira viagem''. ''É preciso tomar muito cuidado nos cinco primeiros quilômetros, pois é impossível correr. Se algo cair, é melhor deixar para trás. Depois disso, corra e curta''.
Luciana e José Eduardo já marcaram até encontro com um grupo de amigos de Londrina para aproveitar a concentração. E a prova também, é claro. ''A gente já combinou de corrermos juntos. Com certeza, será um momento único''.

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