Imagem ilustrativa da imagem Londrinenses creem em novo impacto para o futebol feminino
| Foto: Gustavo Carneiro

Um bar cheio, no centro de Londrina, para acompanhar a seleção brasileira não é novidade, mas, para assistir a um jogo da equipe feminina na Copa do Mundo é inusitado. E foi assim que no domingo (23), o Brasil encerrou a participação na competição, após a derrota para a França por 2 a 1, com gol sofrido na segunda etapa da prorrogação.

“Olê, olê, olê, olê, Marta, Marta!”, torceram as meninas que acompanhavam a partida na Vila Cultural Alma Brasil, na região central. Julia Emerich, 22, puxou o coro de que, mesmo com a derrota, gostaria que o apoio ao futebol das mulheres não fosse apenas de quatro em quatro anos. “Não acompanho tanto esporte. Vim mais para assistir às meninas”, disse a estudante, para quem a mobilização em Londrina é importante para o movimento feminista.

Com a camisa azul com o número de Marta, Talita Machado Vieira, 29, contou que a transmissão inédita em TV aberta do torneio facilitou. “No ano passado, na Copa América Feminina, era difícil assistir aos jogos e tínhamos de caçar transmissões pela internet”, lembrou. Para a doutoranda, a visibilidade que o futebol feminino ganhou nesta copa tem de fortalecer o Campeonato Brasileiro.

As torcedoras consideraram que o mundial trará impactos para o futebol das mulheres. Vieira comentou que as amigas dela, que jogam as tradicionais “peladas”, viram crescer a adesão nas últimas semanas. “As meninas vão contando que há outras jogando na cidade e assim vai crescendo.”

A psicóloga Isaira Bernadele, 29, reforçou a importância da atitude de Marta, que jogou com a chuteira sem patrocínio e com o símbolo da igualdade de gênero. “Tem muita responsabilidade atribuída a elas”, complementou a servidora Natalia Rocha, que citou as críticas masculinas de que os jogos eram “tecnicamente ruins”.

Em contraponto, Rocha tem boicotado a Copa América Masculina, disputada paralelamente ao mundial feminino. “Depois do 7 a 1, do jogo com cai-cai deles, resolvi assistir só às meninas”, explicou. A colega dela, a psicóloga Jordana Fontana, 27, considerou que politizar a questão é inevitável. “A partir do momento em que se fala de igualdade de gênero e igualdade salarial, isso já é política.”

No fim dos 120 minutos, a seleção feminina perdeu em campo, mas ganhou moral com a torcida.

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