Londrinenses conquistam vice-campeonato no Rally dos Sertões
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segunda-feira, 09 de setembro de 2019
Vitor Ogawa - Grupo Folha 

A dupla londrinense Mario Marcondes/Artêmio Paulucci demonstra que tem a velocidade e a regularidade correndo em suas veias. Eles foram vice-campeões da categoria Pró Brasil na 27ª edição do Rally dos Sertões, uma das mais difíceis de toda a história. Com o ótimo resultado, têm motivos de sobra para comemorar. "Você competir em uma categoria superior com um carro inferior não é fácil. Mas a nossa estratégia de poupar o carro para a maratona e não deixar de andar rápido deu certo. Chegamos à maratona, parte mais difícil do rally, com o carro inteiro e em excelentes condições", apontam.
A dupla londrinense só chegou atrás da equipe composta por Wagner Roncon e pelo navegador Joselito Vieira. Os dois completaram o percurso em 37h30min36s. O piloto Mario Marcondes e o navegador Artêmio Paulucci completaram o mesmo trecho em 48h51min30s, ou seja, uma diferença de 11 horas e 21 minutos.
Os competidores precisaram percorrer 4.887,59 quilômetros, dos quais 2.858,46 em pernas longas especiais, com algumas delas superando 500 quilômetros. O trecho entre São Felix do Tocantins (TO) e Bom Jesus (PI), por exemplo, teve 542 quilômetros. "Foi sem dúvida alguma a mais difícil das três edições que participamos. Especiais e deslocamentos longos, que exigiram muito de pilotos, navegadores e dos carros. Tivemos nessa edição a especial mais longa da história do Rally dos Sertões.", afirma Marcondes.
Lá existe uma região denominada Cânions do Viana, em solo piauiense, que foi descrita como um dos cenários mais belos da disputa. "Das três edições que participamos, essas paisagens foram sem dúvida alguma as mais bonitas. Não tinha ouvido falar desse cânion no Piauí. Um lugar que vale a pena. Surpreendente", destaca o piloto. No entanto, enquanto em outras etapas os veículos chegavam às 15 horas, nessa etapa alguns pilotos só chegaram ao anoitecer.
Quem já havia participado de outras edições do Rally dos Sertões percorreu neste ano cidades que já tinham sido incluídas no roteiro em outras edições, entre elas o Jalapão (TO), que proporcionou muitas emoções e trechos muito difíceis de serem superados. Marcondes ressalta que o terreno arenoso foi um dos trechos mais difíceis de percorrer. "Nada igual as areias do Jalapão, mas em compensação, com paisagens belíssimas", aponta.
LOGÍSTICA

Os pilotos precisaram superar ambientes com poeira, lama e calor intenso. Nas madrugadas também lidaram com o frio úmido. As estradas percorridas eram de todos os tipos: asfalto, terra, picadas na mata ou situadas em desfiladeiros e planícies. Contando com a preparação, foram nove dias de competição. E tudo isso precisou de uma logística bastante planejada. Cada máquina contou com seu piloto e navegador e também precisou das equipes de apoio, com mecânicos, motoristas, cozinheiros e diretor de equipe. O grupo acompanhou os competidores em caravana, junto com a organização da competição.
O pódio foi comemorado pela dupla londrinense, porque mesmo subindo de categoria e mantendo o chassi original da L200 da categoria inferior, conseguiram superar seus concorrentes, que utilizaram chassis tubulares projetados especialmente para a prova. O chassi dos londrinenses foi o mesmo que utilizaram quando chegaram em terceiro lugar na categoria anterior, no ano passado. "Nossa estratégia estava focada naqueles que estavam atrás da gente. Quando na segunda e terceira etapas conseguimos abrir uma vantagem confortável, passamos a administrar. Sabíamos que era impossível andar no ritmo do primeiro colocado com o equipamento que tínhamos. Só teríamos chance em caso de quebra deles, o que não ocorreu.", destaca.
Uma das maiores dificuldades que a dupla enfrentou aconteceu no trecho entre as cidades de Barra do Garça (MT) e São Miguel do Araguaia (GO). O trecho de 727 quilômetros de extensão teve 420 quilômetros cronometrados e válidos para a prova. “Na terceira etapa vínhamos muito bem, andando num tempo excelente. Faltando 60Km para o término, a bomba de combustível um parou de funcionar e a dois não funcionou como deveria. Não pudemos passar de 80Km/h. Perdemos um tempo que não poderíamos perder no final dessa etapa” conta o piloto Mario Marcondes.


