Londrinenses comemoram o tetracampeonato
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de dezembro de 2005
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Não importava se havia uma liminar impedindo que a CBF declarasse quem venceu o campeonato. Não importava se o Goiás havia ganho a partida por 3 a 2. O que importava para a torcida alvinegra, ontem, em Londrina, depois das 18 horas, é que a derrota do Inter para o Coritiba, por 1 a 0, asseguraria, pelo menos até a próxima decisão da Justiça, o título de campeão brasileiro ao Corinthians. Tetracampeão brasileiro.
Para os corintianos, não havia a perspectiva de que uma combinação de resultados pudesse dar o título ao Inter. A esperança era de vitória. Folgada, ainda por cima. A uma hora do início da partida, bares e pontos tradicionais da cidade já começavam a receber os primeiros fanáticos, torcedores, sofredores.
''Cheguei cedo para garantir um lugar bem em frente ao telão'', explicava o músico Silvio Raboni, acompanhado da namorada palmeirense. ''Acho que vai ser uns 2 a 0. Nem vai importar quanto vai terminar o jogo do Inter contra o Coxa'', esperava.
A expectativa seria, nas duas horas seguintes, acompanhada e narrada pela nação que havia saído de casa vestida de preto e branco, com camisas falsas, velhas... não importava: serviam para torcer por um argentino que se consagraria o grande herói e símbolo da chamada raça corintiana. Um garoto de 21 anos conhecido como Carlitos Tevez.
Goiás 0x0 Corinthians
Momentos antes de o jogo começar, a torcida, aglomerada em mais de 400 lugares de um bar da cidade, dá o primeiro grito de ''é campeão!''. Iniciada minutos antes, a partida entre Coxa e Inter já exibia um placar de 1 a 0 para o time paranaense, o que garantiria o quarto título conrintiano.
Outros jogos
Os anúncios de gols em outras partidas eram sempre acompanhados de grande apreensão pelos corintianos. Vaias para o gol do São Paulo. Aplausos para o gol do Figueirense. Muitas vaias para os gols do Palmeiras. Eram as coisas voltando ao normal: todos contra o Corinthians e o Corinthians contra todos.
Goiás 1x0 Corinthians
Paulo Baier vira algoz da nação sofredora. Uma pequena manifestação de alguns anti-corintianos no reduto alvinegro, no entanto, é o suficiente para despertar a ira da torcida. ''Eles comemoraram no gol do Figueirense! Porque eu não posso comemorar o gol do Goiás?'', questionava o santista Eduardo da Silva.
Goiás 1x1 Corinthians
O homem que apresentou a ''cumbia'' aos brasileiros marca o gol de empate para a nação. Pela segunda vez, os corintianos gritam: ''É campeão!''. Alguém tinha que agradecer ao argentino. Aos 13 minutos do segundo tempo, a torcida aplaude uma imagem inusitada no telão. Gol? Não. Um torcedor invade o campo, coloca uma faixa em Carlitos, vai embora. Aplausos...
Goiás 2x1 Corinthians
A reação foi, de certa forma, surpreendente: ''Timão, êô... Timão, êô...''. Ninguém ousava pensar na perda do título. Tanto que, junto com o segundo gol dos goianos, veio um novo grito. ''Tetracampeão...''.
Goiás 2x2 Corinthians
O campeonato tinha acabado ali. O chute do lateral Coelho decretava o fim do jogo. Pelo menos, para os corintianos. Dali para a frente, começava a festa. Não importava mais os gols do Palmeiras, do Figueirense... até do Coxa, se fosse o caso.
Goiás 3x2 Corinthians
Ninguém viu. Os gritos superavam o som do telão. Os anti-corintianos nem ousaram comemorar. O jeito foi esperar pelo fim do jogo e sair às ruas. ''O que vale é o campeonato inteiro. A gente perdeu? Tudo bem... fizemos a melhor campanha, o time que mais ganhou de virada, com o melhor ataque, o melhor saldo de gols... Essa liminar na Justiça não vai dar em nada. Vamos comemorar de qualquer jeito'', falava o estudante Thiago Reche.
A alegria foi tanta que contagiou até o vendedor de camisas (do Corinthians) Nivaldo Nóbrega. ''Sou vascaíno, mas fazer o quê? Comemoro a venda de camisas e comemoro o Romário, que terminou artilheiro...''
De uma certa forma, a rodada final do Brasileirão estava colocando as coisas nos seus devidos lugares. Diferente do que foi visto há duas semanas, quando, num sinal dos tempos, era possível ver corintianos torcendo para o Palmeiras. Uma cena dessas só seria imaginável quando víssemos, também, cães e gatos vivendo juntos.


