Há quase um ano eles não têm vida social. Além da família, as únicas pessoas com quem se relacionam são justamente os colegas de treinos, os mesmos que estarão lado a lado no momento da largada de uma das provas de triathlon mais difícil do mundo, o Ironman. Os dezesseis triatletas londrinenses embarcam na próxima semana para Florianópolis com o objetivo de concluírem a versão brasileira da prova. Realizada em Jurerê Internacional, este ano a disputa acontece no dia 29 de maio e contará com a participação de 2 mil atletas de 34 países.
Ao todo, os triatletas precisam completar 3,8 quilômetros de natação, 180 quilômetros de ciclismo e outros 42 quilômetros de corrida. Cada um tem até 2h30 para completar a natação, 10h40 para concluir as pedaladas e até 17 horas para cruzar a linha de chegada após a corrida.
O treinador da equipe de Londrina, Diego Duarte, da Duarte Triathlon Team & Academia Gustavo Borges, já considera o grupo uma família. Segundo ele, essa é a terceira maior equipe de triathlon do Brasil, perdendo somente para grupos de Salvador e Florianópolis. ''Treinar para um Ironman é justamente isso, essa disciplina com os treinos e o desafio em conseguir conciliar rotinas de atividades da vida pessoal de cada um'', comenta.
O empresário Moacir Yoshida, 45 anos, é o pioneiro entre os londrinenses. Esta será a sexta edição da prova que ele disputa e garante que continuará participando até seu corpo aguentar e sua saúde permitir. ''Não penso em parar, devo continuar disputando o Ironman enquanto conseguir'', diz.
Na equipe, três mulheres se destacam pela coragem e determinação. A professora de educação física, Regiane Zaparoli, 28, a personal trainer Amanda Duarte, 24, e a empresária Maria Carolina Abrão, 23, se dividem entre o convívio familiar e trabalho para darem conta dos treinos. Há dias que chegam a pedalar e correr longas distâncias no mesmo dia. Todas elas já completaram uma maratona - prova de corrida de 42 quilômetros - mas será a primeira vez que encaram o desafiador Ironman.
''A gente acaba vivendo o Iron todo dia, porque temos casa, compromissos, no meu caso eu tenho um filho, e precisamos administrar tudo junto aos horários de treinos. É difícil, mas não é impossível'', comenta Regiane. Já Maria Carolina lembra que um dos desafios tem sido conciliar o tempo que passa treinando com trabalho e namoro. ''Até o dia da prova do Iron meu namorado está em paz comigo, quero ver depois como vai ser'', brinca.

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