Londrinense vai ao Rali Paris-Dakar
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2001
Guilherme Gouveia<bR>De Londrina 
Um londrinense no Rali Paris-Dakar. Marcelo Quelho, 36 anos, representa a cidade pela primeira vez na história na maior e mais difícil prova de motorsport do mundo. O Rali - edição 2002 - sairá em 28 de dezembro da cidade de Arras, a 250 km de Paris, e a chegada está prevista para 13 de janeiro em Dakar, com um percurso total de 9.436 km, em 14 etapas e cinco países: França, Espanha, Marrocos, Mauritânia e Senegal.
Como preparação para a perigosa e emocionante competição, Quelho percorreu, durante seis meses, 20 mil quilômetros de estradas sinuosas e irregulares do pantanal Matogrossense, além de ter encarado as dunas de areia do litoral do Ceará. ''Procuramos simular nesse período todas as dificuldades que vamos encontrar no rali. A experiência foi muito produtiva, principalmente porque foi possível detectar algumas falhas mecânicas que podem acontecer na competição'', avalia.
No Rali, criado em 1978 pelo francês Thierry Sabine, o londrinense terá ao seu lado o experiente Luisão Azevedo, que já participou quatro vezes do Dakar. Os dois correm pela equipe CDI/Competições na categoria Marathon para motos até 400cc.
A dupla espera encontrar muitas adversidades durante o percursso. Logo no primeiro dia, ainda em território francês, eles teram de avançar 450 quilômetros debaixo de uma temperatura de três graus negativos. Já em solo desértico, no Saara, o que amedronta são as frequentes tempestades de areia que atingem a média de 80km/h. ''Devemos encontrar muitas delas saindo da Mauritânia e entrando no Senegal'', informa.
Segundo Quelho, a estratégia para fugir dos perigos do deserto se resume em não enfrentar as dunas ''de peito aberto''. ''Temos de ter muita cautela, percorrendo as dunas em zigue-zague'', diz.
No Rali, uma verdadeira ''Torre de Babel'', com competidores de muitas nacionalidades, a equipe pretende no mínimo terminar a prova. ''Estamos abdicando de um certo conforto em competir de carro para conseguir terminar a prova'', disse. Segundo ele, nas 24 edições do rali só 5% dos estreantes conseguem cruzar a linha de chegada.
Os pilotos viajam amanhã para Portugal, onde recebem do campeão português de rali, Paulo Marques, as duas motos Honda XR 400 que serão utilizadas na competição.


