O londrinense Douglas Vieira, 40 anos, medalha de prata na Olimpíada de Los Angeles (84), parou de lutar mas não abandonou o judô, sua grande paixão. Hoje, além de técnico da seleção brasileira universitária, ele também treina o chileno Gabriel Lama, único do país classificado na modalidade para disputar os Jogos Olímpicos de Sydney (Austrália).
Douglas e Gabriel se conheceram em junho do ano passado, durante o Mundial de Mallorca, na Espanha. ‘‘Ele estava sozinho no Mundial e eu o convidei para ficar junto com a delegação brasileira. Ele aceitou e viramos amigos’’, disse o treinador, que pouco tempo depois foi convidado pelo próprio atleta para ser o seu técnico.
‘‘Pelo Brasil não teria condições de participar de mais uma Olimpíada. Nem mesmo como técnico. A política existente não me permite’’, disse, indignado com a administração do esporte no País.
O paranaense está entre os atletas que desde 1984 pedem o afastamento de Joaquim Mamede do cargo de presidente da Confederação Brasileira de Judô. Mamede está envolvido em denúncias de má administração, desvio de verba e perseguição aos atletas. ‘‘O judô brasileiro só vai crescer quando for realmente levado à sério’’, afirma Douglas.
O ex-atleta, que hoje mora em São Paulo, saiu de Londrina com dois anos de idade. Seu pai foi transferido para Caçapava, interior paulista. Foi lá que ele iniciou a sua carreira no judô. Os primeiros passos da modalidade aprendeu com seu pai, Sílvio Vieira. Apaixonado pela modalidade, resolveu fazer Educação Física. Passou no vestibular da USP (Universidade de São Paulo), uma das mais conceituadas universidades brasileiras, onde pôde aprofundar o seu conhecimento esportivo.
Antes da Olimpíada de 84, em Los Angeles, ninguém o conhecia. ‘‘Ninguém falava no meu nome. Acabou sendo surpresa para todo mundo. Por isso eu falo que em Olimpíada tudo pode acontecer’’, disse, referindo-se à possibilidade de seu atleta ser um dos medalhistas da última Olimpíada do milênio.
Em 91, Douglas Vieira encerrou a carreira de atleta após participar do Pan-Americano de Havana (Cuba). ‘‘Tive uma lesão no ombro e resolvi parar. Como o judô é a minha vida, acabei virando técnico’’, diz ele.
Mas para os Jogos Olímpicos de Sydney Douglas vai ter mais uma função: a de comentarista. O londrinense vai comentar as lutas da seleção brasileira de judô para a rede de televisão ESPN (canal pago), ao lado do narrador Milton Leite. O judô começou no dia 16, com a categoria 48 kg, e vai até o dia 22, com a prova dos atletas da categoria peso-pesado.

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