Londrinense transforma o futebol em ciência
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sábado, 15 de outubro de 2005
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
O ex-atleta e ex-professor universitário Antônio Carlos Gomes, 47 anos, é hoje um dos ''homens-fortes'' do Atlético Paranaense e um dos responsáveis pela rápida ascensão do clube no panorama do futebol brasileiro e sul-americano. Diretor-técnico da equipe desde o ano 2000, o londrinense vem implantando uma nova filosofia de treinamento, que objetiva a proeza de ''transformar o futebol em ciência''.
''Fui convidado para encarar o desafio de fazer um trabalho científico na formação dos atletas, visando promover uma revolução nos métodos de treinamento. O futebol sempre foi cercado de muitos mitos e empirismo. Ainda hoje, na maioria dos clubes, ele é determinado pelo conhecimento popular dos treinadores e dirigentes'', afirma Gomes, que conversou com a reportagem da Folha no último dia 28, quando esteve em Londrina na inauguração da primeira escolinha do Atlético-PR na cidade.
Além da bagagem acadêmica que trouxe ao clube, Gomes também vem sendo apontado como um dos mentores do chamado ''projeto de internacionalização do Atlético''. Como fala fluentemente o inglês e o russo morou em Moscou durante dez anos, onde fez mestrado e doutorado em Treinamento Esportivo de Alto Rendimento, e estudou com os melhores professores da antiga União Soviética Gomes é sempre requisitado pela diretoria quando é preciso entrar em contato com empresários e dirigentes de clubes do Leste Europeu. Assim foi, por exemplo, quando iniciaram as conversações para a negociação dos londrinenses Jádson e Fernandinho com o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia.
''Temos um departamento internacional que cuida das transações de jogadores e sempre me coloco à disposição quando precisam falar com países da Ásia e do Leste Europeu. Em função do período em que morei lá e viajei por vários países, estabeleci contato com muitos empresários do futebol, docentes e treinadores destas regiões'', conta o diretor. ''Não é por acaso que o clube tem ex-atletas jogando hoje em mercados emergentes do futebol, como China, Turquia, Coréia do Sul e Ucrânia'', acrescenta.
Como o clube tem também atletas jogando em países de ponta, como França, Holanda, Inglaterra e Espanha, Gomes não hesita em dizer que o Atlético já é ''referência internacional''. Devido ao seu currículo, ele vem sendo convidado para dar palestras na Europa em eventos relacionados à área científica do futebol. As últimas foram na Espanha, Rússia e Portugal.
Sua participação mais importante foi na conferência de abertura da Eurocopa-2004, em Portugal. ''O clube acaba ficando em evidência, pois sempre vou representando o Atlético. Para mim, isso mostra o reconhecimento da identidade acadêmica que o clube passou a ter entre os principais países do futebol'', acredita Gomes.
Outra prova disso, segundo ele, são as visitas constantes que o clube recebe de profissionais de futebol de vários países. ''Eles vêm conhecer o modelo de gestão científica que implantamos'', discursa o professor.


