Uma londrinense de 33 anos pratica um esporte que qualquer um consideraria coisa de doido. Ela integra um pequeno grupo de atletas no mundo que se dedicam a ultramaratonas - provas com distância superior a 80 quilômetros, que são a sensação dos aficcionados em provar ao máximo a resistência do organismo.
Adeluci é dona de uma agência de turismo na cidade e corre todos os dias entre 20 e 25 quilômetros ao redor do Lago Igapó depois de cumprir uma rotina cansativa de mais de nove horas de trabalho. Faz isso com tranquilidade. Por semana, corre em média 200 quilômetros. Porém, nos próximos dias 5 e 6 ela vai partir para um desafio imensamente maior. Terá que correr em 24 horas os 200 quilômetros que percorre durante uma semana.
Será no Festival Internacional de Ultramaratona, em Atenas, na Grécia, país que é o berço dessa modalidade que testa os limites do ser humano. Na prova, além das atletas gregas, Adeluci enfrentará como maiores adversárias as russas. Participarão da corrida somente 18 mulheres na categoria elite - ela é a única brasileira. Seu treinador, Valmir Nunes, de Santos (SP), também é o único brasileiro entre os atletas da elite. Ele já venceu cinco edições da prova.
Adeluci está em Santos, onde finaliza esta semana sua preparação para o desafio. Ela embarca para a Grécia dia 2 e só retorna dia 10. ''Não posso voltar um dia após a corrida, porque todos os atletas que garantem pódio precisam se submeter a exames antidoping nos dias posteriores à prova. E eu tenho confiança de que estarei no pódio lá'', disse Adeluci.
A ''iron-woman'' de Londrina estima que durante as 24 horas correrá entre 201 e 220 quilômetros, distância superior a ir daqui até Campo Mourão. No percurso, ela explica que todos os atletas procuram se hidratar ao máximo e se alimentar de frutas e carboidratos em gel. ''Como não podemos parar, a gente come enquanto corre. Por isso precisamos de alimentos de fácil absorção e digestão, além de líquidos eletrolíticos (repositores de sais)'', detalha Adeluci. Só é permitido parar para massagens ou alongamento e por um tempo máximo de 25 minutos durante toda a prova.
Depois de tudo isso, Adeluci quer ainda realizar um sonho que não conseguiu concretizar ano passado: correr a Spartathlon, maratona de 276 quilômetros entre Esparta e Atenas. Ela participaria em outubro, mas não pôde competir porque não havia corrido prova superior a 100 quilômetros em 2006. ''Eu estava inscrita na Ultramaratona de Santander (Espanha), em junho, mas ela foi cancelada por causa dos ataques terroristas em Madri. Mas este ano vai dar tudo certo'', aposta ela.
A atleta tem os apoios de Ortoclin, Academia Magoo e Piraju Natação.

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