Para os entendidos no meio esportivo, ele simplesmente superou todos os limites do corpo. ''Viciado'' em provas desafiadoras, o bancário de Londrina, Tiago Sassi, 28 anos, deixou dezenas de maratonistas ''comendo poeria'' ao concluir a Maratona do Deserto do Atacama, realizada no último dia 29, no Chile. Sassi completou o desafio de mais de 42 quilômetros, em 3 horas e 54 minutos e conquistou o primeiro lugar em sua categoria (sub-30) e o quarto lugar no geral. Ao todo, a prova contava com cerca de 500 atletas.
Não é de hoje que o londrinense da equipe Duarte Triathlon Team & Gustavo Borges participa de eventos difíceis como esse. Desde quando começou a correr, há cerca de sete anos, ele não parou mais. O troféu da prova do deserto vai compor mais uma conquista, que aos olhos de muitos, são provas para ''malucos''. ''Eu gosto de desafiar meu corpo e minha mente. Sabia que esse seria um desafio ainda maior porque não estava acostumado com altitude próxima dos 3 mil metros. O ar seco dificultava muito a respiração'', conta.
Sassi já completou um Ironman - prova de triathlon considerada a mais difícil do mundo - onde os atletas nadam 3,1 mil metros, pedalam 120 quilômetros e correm outros 42 quilômetros. Ele também já correu duas vezes uma prova de 53 quilômetros em temperaturas abaixo de zero grau na cidade de Urubici (SC).
No deserto do Atacama, ele partiu do asfalto e percorreu dunas, estrada de chão, trilhas e muita areia numa das regiões considerada a mais seca do planeta. ''Coloquei em mente que o maior adversário não seria os outros corredores e sim a superação do meu próprio corpo diante de tantas dificuldades'', lembra.
Mas, se alguém disser que ele não pensou em tempo, é mentira. Sassi brinca ao comentar que desde o início da prova estava de olho no cronômetro, mas tinha consciência da importância de respeitar seus limites. ''A prova iniciou em um ritmo muito forte mas eu sabia que tinha que ter cautela no comeco. Com isso muito atletas foram me passando. A medida que fui passando os quilômetros senti uma força muito grande dentro de mim, dizendo que aquele seria o dia perfeito. Então, a medida que começou a surgir dunas e trechos acidentados no percurso, os ventos começaram a soprar a meu favor'', relata.
Para concluir a prova, Sassi treinou por quatro meses. Ao longo do desafio, ele ingeria água, isotônicos e azeitonas. ''Tinha alguns pontos da prova que a gente encontrava máscaras de oxigênio para quem precisasse. Perto dos 28 km comecei a ultrapassar vários atletas e recebi a informação que estava entre os dez melhores. Aquela informação serviu como uma injeção de energia para mim. Agradeci a Deus por estar ao meu lado naquele momento e mostrar ao meu corpo que a mente forte supera qualquer dor'', finaliza.

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