Londrinense ganha vida como agente
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domingo, 06 de janeiro de 2013
Thiago Mossini<BR>Reportagem Local 
Glasgow, Escócia - Em um mercado bairrista e que passa por um momento financeiro complicado, um londrinense consegue sobreviver no futebol fora de campo. Há sete anos vivendo na gelada Glasgow, principal cidade da Escócia, Renan Capra da Rocha conseguiu se consolidar como agente de jogadores e está bem perto de se tornar dirigente em um clube intermediário que está para ser vendido.
Renan está intermediando as negociações de compra e venda de 54% das ações de uma equipe da primeira divisão escocesa com um grupo árabe, que pretende transformar o clube em centro formador de atletas estrangeiros. "Por enquanto são conversas", minimiza.
Enquanto as conversas não avançam, ele segue atrás de talentos com passaporte europeu para tentar encaixar no mercado local ou mesmo em outros países do Reino Unido. O alvo, no momento, é a eterna promessa Jean Chera, que deixou o Flamengo recentemente sem deixar saudades. Aos 16 anos, ele já passou pelo Santos, Genoa, da Itália, e Flamengo, sem se destacar da forma esperada.
É a segunda vez que Renan tenta negociar o jogador. "Em 2008, trabalhamos o Chera com o Manchester United, mas como ele não tinha o passaporte europeu não deu certo. Agora estamos novamente tentando fechar algo com um outro clube inglês. Há um grande interesse da parte do clube, mas a proposta ainda não foi formalizada", explicou.
Com a crise econômica, a Inglaterra é a melhor opção financeira para a negociação de jogadores no Reino Unido, de acordo com o agente. "O futebol na Europa caiu bastante devido a crise econômica nos últimos cinco anos. O futebol daqui (Escócia), infelizmente, acompanhou a crise na Europa. Um dos maiores clubes da Escócia, o Glasgow Rangers, foi a falência, o Hhearts Midlothian, de Edimburgo, está em uma situação financeira muito ruim. Também foi a falência o Gretna em 2008, podemos dizer que é o pior momento do futebol escocês de todos os tempos", explicou. Após ter a falência decretada, o Rangers foi vendido para o empresário britânico Charles Green. O clube também foi rebaixado para a quarta divisão escocesa.
A dificuldade financeira refletiu diretamente no mercado de jogadores. Segundo Renan, a concorrência para emplacar atletas nas equipes locais continua grande, ao contrário dos valores pagos, que caíram. "Foi bem difícil. Os clubes já não pagam o que pagavam antes, o investimento caiu muito. Anos atrás, todos os clubes da Premier League pagavam passagem Brasil/Escócia, além de hotel e alimentação para atletas que chegavam para testes. Hoje, a maioria dos clubes já não faz mais isso e o agente tem que bancar a passagem do jogador", afirmou.
Desta forma, diminuíram o número de jogadores a serem observados e consequentemente a receita de quem trabalha com futebol, com o é o caso do londrinense. "Caiu muito. Agora, se você traz dez jogadores a testes em um ano o custo será de aproximadamente 10 mil libras (R$ 35 mil) e a comissão que os clubes pequenos da Premier League escocesa pagam por jogador contratado é muito baixa. Para você ter uma ideia, na segunda divisão do Brasil os atletas ganham mais que a maioria dos jogadores que jogam a Premier League aqui na Escócia. Somente Rangers e Celtic pagam salários altos", explicou.
Com a crise no futebol, ele encontrou em outro setor econômico do esporte uma boa fonte de renda: o e-commerce. "Entrei nesta área com a Old Firm Importados no fim de 2009, quando o futebol já estava em decadência aqui. Sempre usei e li bastante sobre comércio eletrônico e é realmente um mercado promissor, especialmente com a alta do UFC no Brasil já que meu forte é material esportivo", disse.
Seja no comércio eletrônico ou no futebol, ele não pensa em sair da Escócia. Voltar ao Brasil? "Só para tomar uma cerveja na praia. Não há lugar no mundo melhor que nosso Brasil para passar férias", brincou.


