Depois de 11 dias de disputas e 5.350 quilômetros de percurso entre São Paulo e Fortaleza-CE, a oitava edição do Rali Internacional dos Sertões, considerada a maior prova de off-road (fora da estrada) da América Latina, foi considerada muito boa, apesar de alguns problemas. Um ‘londrinense de coração’, como costuma dizer, Onéssimo Francisco de Assis (), atualmente residindo em Maringá, participou desta competição como diretor-adjunto da prova e Comissário da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA).
Depois de organizar muitos ralis, raids, provas de motocross e enduros, principalmente na região de Londrina, e após um tempo na direção do Autódromo Internacional Ayrton Senna, Onéssimo resolveu fazer o que mais gosta: estar no meio de competições de longa duração. E esta edição do Rali dos Sertões foi o máximo. ‘‘Fiquei na parte técnica e, no geral, o evento deste ano deu um pulo muito grande no que diz respeito à qualidade’’, ele observa. ‘‘Montadoras como a General Motors, Mitsubishi e Troller investiram bastante neste evento, que valeu como o primeiro Campeonato Brasileiro de Off Road.’’
Segundo Onéssimo, bastou dar uma olhada na categoria Carros e ver que o nível foi muito alto. ‘‘Pilotos e navegadores que competem no rali de velocidade, como Édio Fuchter, Luís Tedesco, Ulysses Bertholdo, Norton Lopes, Guilherme Spinelli, além dos competidores estrangeiros, fizeram com que a disputa fosse das mais acirradas’’, conta. ‘‘E isso é muito bom.’’ Nas Motos, a participação dos estrangeiros foi determinante na qualidade dos desempenhos. ‘‘O pessoal de fora, com experiência em seis ou sete participações no Rali Paris-Dakar, fez com que o nível crescesse. Mais do que isso, apesar da vitória do Jean Azevedo, os demais competidores brasileiros ganharam experiência com este time.’’
Para Onéssimo, a competição deste ano teve pequenas falhas, que poderão ser consertadas em 2001. O mais importante é que o objetivo foi atingido, que era o de se realizar uma prova de alto nível técnico. Para o próximo ano, fala-se em aumentar o número de dias de provas, diminuindo assim a quilometragem a cada dia. O percurso também mudaria, indo de São Paulo a Natal. ‘‘Estas mudanças ainda estão em fase de estudo’’, adianta Onéssimo, que viajaria para Buenos Aires como convidado da CBA, para acompanhar os últimos detalhes do Mundial de Off Road que acontecerá na Argentina em setembro.
Onéssimo destacou como parte negativa do Rali dos Sertões a morte de Beto Salles, de Fortaleza, que sempre esteve ligado em provas off road, ele que era preparador de carros da equipe Troller. Beto esteve no Paris-Dakar do ano passado e só este ano resolveu participar como navegador na categoria Carros. O acidente não foi durante a prova e sim em um deslocamento.
Os vencedores do Rali dos Sertões dete ano foram Édio Fuchter/Luís Tedesco, Chevrolet, na categoria Carros; Jean Azevedo, Gas Gas, Motos; e André Azevedo, Caminhão. A Dunas Racing, organizadora do evento, esteve presente em toda a disputa com um aparato de quatro aviões, três helicópteros, 32 carros e quatro carretas.

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