Você faz idéia de onde fica o Cazaquistão? É um país do tamanho da Índia, pouco maior que a Argentina, situado na Ásia Central e que faz fronteira com a Rússia ao Norte e com a China e a Mongólia a Leste. É uma ex-república soviética, que só pela proximidade com o Afeganistão (cerca de 500 quilômetros ao sul) já assustaria qualquer brasileiro de pensar em ir para lá.
Mas foi para esse país que se mudou o ex-técnico do Londrina Futsal, o londrinense Guto Reeberg, que levou o time do Kairat a faturar dois títulos na última temporada: a Copa do Cazaquistão e o bicampeocampeonato nacional (2004/05). O time fica na cidade de Alma-Ata, ex-capital e maior cidade do país, com 1,5 milhão de habitantes. A economia da nação é baseada na extração de minérios.
Reeberg estava treinando o Veranópolis no último Campeonato Gaúcho quando foi chamado para assumir o time asiático no meio da competição nacional, em outubro do ano passado. O convite partiu do fixo Ettiene, ex-jogador do Carlos Barbosa-RS e da Ulbra-RS, que já estava no Kairat desde a temporada 2003.
O atleta conhecia Reeberg do tempo em que o segundo trabalhou na Ulbra, em 1998, e no Carlos Barbosa, em 2002. ''Quando recebi o convite não demorei muito a aceitar, pois sabia que já havia atletas brasileiros lá e que profissionalmente seria muito interessante para mim'', afirmou Reeberg, que não quis revelar o quanto ganha no Cazaquistão. ''Só o que posso te dizer é que estão pagando o mesmo valor que os times italianos e russos pagam'', disse.
Na Itália, de acordo com os jogadores londrinenses que foram para lá em 2002, os salários médios giram em torno de 3 mil euros (cerca de R$ 9 mil). O salário dos técnicos é ainda maior. E a Rússia chegou ao mesmo patamar para poder contar com jogadores como o pivô Choco e o próprio Ettiene.
Novo mercado Segundo Reeberg, a Ásia Central e o Leste Europeu são hoje os mercados mais emergentes do futsal, e os que mais estão se abrindo aos estrangeiros, ''pois querem aprimorar técnicas e chegar assim ao nível das melhores seleções européias''. Na sua análise, Cazaquistão e Rússia estão fazendo hoje o que a Itália fez há cinco anos e o que a Espanha fez há 15 importando a técnica do jogador brasileiro. Como resultado, a Espanha já se sagrou bicampeã mundial e a Itália foi vice em 2004.
O time do Kairat conta ainda com cinco atletas brasileiros: o fixo Ettiene e o ala Cacau, ambos ex-jogadores da seleção, o goleiro Gustavo (ex-Londrina), o pivô Ricardo (ex-Banespa) e o ala Cleiton.
Quando começar a temporada 2005/06, em agosto, dois deles já não estarão mais no time, mas serão substituídos pelo pivô Sérgio Sobral, que está há cinco anos na Espanha, e por outro ala. O Kairat era o único time do Cazaquistão com brasileiros. O seu rival, o Tuppar, da cidade de Karagandá, tem cinco estrangeiros também, mas todos russos. ''Os russos e ucranianos das equipes de lá são atletas de ponta, como os brasileiros'', informou Reeberg.

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